A trabalhadora Denise dos Santos Teixeira, de 45 anos, morreu na noite de segunda-feira, 12 de janeiro, após uma queda de aproximadamente 20 metros de altura dentro de um terminal do Porto de Santos. O acidente ocorreu no Armazém 16, durante o turno noturno.
Primeiro emprego formal e um sonho realizado
Denise estava há apenas 45 dias na empresa Corredor Logística e Infraestrutura (CLi). Este era seu primeiro emprego com a carteira de trabalho assinada, após anos atuando como autônoma, principalmente em serviços de faxina. Segundo sua irmã, Simone Freire, trabalhar na área portuária era um grande objetivo de vida para Denise.
"Ela sempre falava: ‘um dia eu vou trabalhar na área portuária, porque são empregos duradouros e bons’", relembrou Simone. A empolgação com a nova fase era visível: Denise chegou a compartilhar nas redes sociais imagens do kit de boas-vindas recebido da empresa. Ela deixou três filhos e um neto.
Detalhes do acidente e resposta da empresa
De acordo com relatos de colegas, a trabalhadora realizava uma inspeção mecânica de rotina quando o acidente aconteceu. A hipótese inicial é de que o piso da esteira na qual ela caminhava tenha cedido. Após notarem sua ausência no ponto de encontro combinado, colegas iniciaram buscas. Por volta das 21h36, um mecânico da equipe a encontrou caída e acionou imediatamente a brigada de emergência.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi chamado e permaneceu no local por mais de 45 minutos tentando reanimá-la. O óbito foi constatado às 22h11 pela equipe médica. A empresa informou que a família foi comunicada e acolhida no terminal, com suporte das equipes de Recursos Humanos e Saúde.
Investigação em andamento
Em nota oficial, a CLi afirmou que isolou a área, suspendeu as operações no local e acionou as autoridades competentes. A companhia declarou que lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com familiares e amigos.
Para apurar as causas do acidente com isenção, a empresa contratou uma consultoria externa especializada em segurança. "Até a conclusão desse trabalho, qualquer afirmação sobre causas ou responsabilidades seria precipitada", destacou a CLi na nota, reforçando seu compromisso com a transparência e a colaboração integral com as investigações.
A trajetória de Denise mostra a busca por estabilidade: ela já teve uma loja de acessórios e, há cerca de um ano e meio, investiu em sua qualificação, fazendo cursos técnicos voltados para o setor portuário. Sua morte levanta questões cruciais sobre a segurança nos ambientes de trabalho de alto risco e a proteção dos trabalhadores, especialmente daqueles em início de carreira ou em seus primeiros dias em uma nova função.