Salva-vidas de 24 anos morre sugado por ralo no Wet'n Wild; funcionários denunciam negligência
Morte de salva-vidas no Wet'n Wild expõe falta de EPIs e más condições

A morte trágica de um salva-vidas de 24 anos no parque aquático Wet'n Wild, em Itupeva (SP), expôs uma série de denúncias graves sobre condições de trabalho e segurança. Guilherme da Guerra Domingos faleceu na tarde de terça-feira (13) após ser sugado por um ralo enquanto tentava recuperar uma aliança para um turista.

Denúncias de Negligência e Falta de Equipamentos

Em entrevista à TV TEM, uma funcionária que preferiu não se identificar revelou um cenário alarmante de descaso. Segundo ela, havia uma falta crônica de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e as condições de trabalho eram precárias. A atração Water Bomb, onde o acidente ocorreu, estaria funcionando sem atender ao checklist de segurança e com a grelha de proteção do ralo ausente.

"Foi pura negligência. Não foi falta de aviso. Não deram ouvidos aos avisos dos funcionários", desabafou a mulher. Ela acrescentou que a situação poderia ter acontecido com qualquer pessoa e que inúmeros outros acidentes já ocorreram com colaboradores, resultando em afastamentos e fraturas.

Relatos de Despreparo e Desrespeito

Os depoimentos colhidos pintam um quadro de despreparo e falta de suporte. Outra funcionária contou que, no momento do resgate, um médico e uma enfermeira que estavam no parque como visitantes tiveram que intervir, pois a equipe de plantão não estava apta para um atendimento de tal gravidade. Houve também problemas com a disponibilidade de cilindros de oxigênio.

A primeira funcionária entrevistada foi além das questões de segurança, denunciando um ambiente de trabalho desumano. "A gente não tem dignidade", afirmou. "Não temos respeito, não somos tratados como funcionários que fazem seu papel e são reconhecidos. Trabalhamos sem a menor noção se vamos voltar vivos."

Resposta do Parque e Investigação Policial

Em nota, o Wet'n Wild afirmou que todos os drenos do sistema hidráulico do Water Bomb possuíam grades de proteção e que a unidade segue padrões internacionais de segurança. A empresa destacou seus 28 anos de operação em Itupeva sem nenhum outro óbito relacionado às atividades do parque e disse estar colaborando com a investigação da Polícia Civil, além de manter contato com a família da vítima.

A Polícia Civil intimou um representante do parque para prestar depoimento na segunda-feira (19). O Wet'n Wild permaneceu fechado na quarta (14) e quinta-feira (15), com previsão de reabertura na sexta (16).

Um ex-funcionário, que também não quis se identificar, corroborou as acusações. Ele disse que não se sentia seguro durante o expediente e que desenvolveu ansiedade enquanto trabalhava no local. "A gente meio que trabalhava com a corda no pescoço", lamentou, destacando sua certeza de que as falhas no checklist de segurança ficaram documentadas.