Sobreviventes narram detalhes de acidente fatal com lancha na divisa SP-MG
Sobreviventes do acidente com uma lancha no Rio Grande, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo, ocorrido na noite de sábado (21), relataram à EPTV, afiliada da TV Globo, que o piloto errou o caminho e realizava um retorno no rio quando a embarcação atingiu um píer. Das quinze pessoas que estavam a bordo, seis morreram afogadas. Os corpos estão sendo velados e enterrados nesta segunda-feira (23) em Franca (SP), cidade onde as vítimas residiam.
Relato detalhado do momento do acidente
Rogério Souza, um dos sobreviventes, explicou que o acidente aconteceu enquanto a lancha transportava o grupo de volta para um chalé à beira da represa de Jaguara. "A gente estava no meio do rio, fez um retorno para o lado da beirada da água. A gente se perdeu. A gente virou o barco, voltou devagarzinho, eu estava com meu celular na frente com a luz iluminando, porque a gente não estava enxergando direito. De repente, vi a estrutura de madeira, foi onde eu gritei: 'vai bater'", descreveu.
O sobrevivente destacou ainda que, após a colisão, o motor da lancha continuou em funcionamento. Ele acredita que isso pode ter feito a embarcação levantar e tombar. "Bateu devagarzinho, tanto é que o barco chegou até a parar. Acho que na hora que bateu, encostou no acelerador da lancha. Escutei o barulho do motor de novo. Na hora em que escutei, o motor tracionou, o pessoal caiu para trás, a lancha levantou e tombou", afirmou Rogério.
Controvérsia sobre iluminação do píer
Os sobreviventes também negaram que o píer atingido pela embarcação estivesse iluminado no momento da colisão. Os relatos contrariam a informação passada pela Defesa Civil de Rifaina (SP), que afirmou que as luzes no local estavam acesas.
"[Píer] Não estava iluminado, estava desligado. Você só vê iluminação nele em outras filmagens que fizeram, que ele está aceso na hora do resgate, mas na hora em que a gente passou, ele estava desligado", disse Rogério.
Outra sobrevivente, Diane de Faria, também destacou a falta de iluminação, o que fez, segundo ela, com que o píer fosse visto já bem próximo. "Na hora em que acabou a curvinha da mata, já tinha o píer. Foi muito rápido. Apareceu o píer na nossa frente. O Rogério gritou 'vai bater', e bateu. Não tinha como fazer nada. Não tinha sinalização nenhuma", relatou.
Investigações em andamento
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que uma equipe da perícia oficial foi ao local do acidente náutico, em Sacramento, e realizou a coleta dos primeiros vestígios e informações que irão subsidiar as investigações. O caso é investigado pela Delegacia de Polícia Civil em Sacramento. A Marinha do Brasil também afirmou que vai investigar o acidente.
Contexto do passeio e resgate
Os moradores de Franca que morreram no acidente de lancha estavam aproveitando o final de semana em uma casa do lado mineiro da represa. No sábado, eles fizeram um passeio em um bar flutuante e algumas pessoas chegaram a postar fotos nas redes sociais. No deslocamento de volta para o condomínio, por volta das 22h, a embarcação bateu em um píer.
Com o impacto, parte dos ocupantes foi arremessada para trás e ficou presa quando a embarcação virou na água. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram voluntários, mergulhadores e equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) trabalhando no resgate das vítimas e para desvirar a lancha.



