Navio histórico afundado em Santos terá reflutuação emergencial de R$ 8,6 milhões
Reflutuação de navio em Santos custará mais de R$ 8,6 milhões

Operação emergencial para resgatar navio histórico em Santos

A retirada e reflutuação do navio Professor W. Besnard, que afundou no cais do Valongo no início de março, terá um custo superior a R$ 8,6 milhões. A Autoridade Portuária de Santos (APS) contratou em caráter emergencial a empresa Marfort Serviços Marítimos para executar os trabalhos, que devem começar ainda nesta semana com previsão de duração de até cinco dias.

Contrato abrangente e medidas de segurança

O contrato firmado pela APS tem vigência de seis meses e inclui plano de mergulho, segurança operacional, içamento, metodologia de reflutuação, contenção de poluição e docagem da embarcação em estaleiro. A APS já implementou medidas de segurança, isolando a área em terra e instalando barreiras de contenção no mar para evitar acidentes ambientais por vazamento de óleo para o estuário.

Segundo o presidente da APS, Anderson Pomini, a expectativa é que a reflutuação ocorra em até quatro ou cinco dias, permitindo a estabilização da embarcação e reduzindo riscos operacionais na área portuária. A Marinha do Brasil informou que a embarcação não oferecia risco iminente à navegação, pois estava assentada ao leito e permanecia amarrada ao cais.

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Causas do acidente e histórico do navio

O navio afundou no dia 13 de março, mas parte da estrutura permanece fora da água por ter encostado no fundo do estuário. Segundo Fernando Liberalli, presidente do Instituto do Mar (Imar), o acidente ocorreu após o navio encher de água durante fortes chuvas no início do mês, quando as bombas de sucção estavam fora de operação devido ao furto da fiação.

O Professor W. Besnard tem 49,3 metros de comprimento e foi construído por encomenda do governo paulista, sendo lançado ao mar em 1966. A embarcação histórica realizou expedições científicas importantes, incluindo:

  • Mais de 260 viagens para formação de pesquisadores
  • Passagem por mais de 10 mil pontos de coleta para estudos científicos
  • Participação nas primeiras expedições brasileiras à Antártica
  • Viagens pelo arquipélago de Cabo Verde

Fora de operação desde 2008 após um grande incêndio, o navio passava por reformas após ser doado ao Imar, que planejava transformá-lo em um museu flutuante. A APS assumiu a retirada do navio por conta da situação emergencial declarada pela Capitania dos Portos, e a embarcação de propriedade privada será levada até um estaleiro para avaliação.

Próximos passos e responsabilidades

Após a reflutuação, a reforma do navio deve ser realizada pelo Instituto do Mar, que busca parceiros para o projeto. A operação de resgate representa um esforço significativo para preservar uma peça importante da história marítima brasileira enquanto garante a segurança operacional do Porto de Santos.

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