Piloto de lancha que naufragou em Manaus se entrega após ficar um mês foragido
O comandante Pedro José da Silva Gama, piloto da lancha que naufragou em Manaus em fevereiro deste ano, teve a prisão mantida após passar por audiência de custódia na tarde desta terça-feira (17). Pedro se entregou à polícia na segunda-feira (16), após pouco mais de um mês foragido, marcando um novo capítulo no trágico caso que chocou o Amazonas.
Detalhes do naufrágio e consequências
O naufrágio da lancha de transporte de passageiros Lima de Abreu XV aconteceu em 13 de fevereiro, quando a embarcação, que saiu da capital com destino ao município de Nova Olinda do Norte, afundou com cerca de 80 pessoas a bordo. Três pessoas morreram e cinco seguem desaparecidas, em um dos acidentes fluviais mais graves recentemente registrados na região.
A audiência de custódia do piloto foi realizada no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, após Pedro prestar depoimento à polícia. Segundo o Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam), a prisão foi homologada pela juíza plantonista que entendeu não haver qualquer ilegalidade no momento em que o piloto foi preso.
Trajetória do piloto e defesa apresentada
Pedro se apresentou na sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) acompanhado da advogada. À imprensa, a defesa do piloto afirmou que ele estava assustado com o caso e que vai colaborar com as investigações.
"O Pedro se apresentou espontaneamente na delegacia, ele nunca teve a intenção de se evadir da Justiça, no entanto ele estava totalmente assustado, fragilizado, agora ele já se apresentou e pretende colaborar com as investigações", disse a defesa do piloto.
Pedro chegou a ser detido no dia do acidente e levado inicialmente ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Após a confirmação das mortes, foi encaminhado à DEHS e liberado após pagar fiança. No dia seguinte, em 14 de fevereiro, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto determinou a prisão preventiva de Pedro. A decisão teve como objetivo garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.
O trágico acidente no Encontro das Águas
A lancha, da empresa Lima de Abreu Navegações, saiu de Manaus por volta das 12h30. Durante a viagem, a embarcação naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, região onde os rios Negro e Solimões se encontram.
Vídeos gravados por passageiros mostram pessoas, incluindo crianças, à deriva na água, muitas usando coletes salva-vidas ou apoiadas em botes enquanto aguardavam socorro. As causas do acidente não foram divulgadas oficialmente e seguem sob investigação.
Logo após o acidente, parte dos passageiros foi socorrida por embarcações que navegavam pela região. Em seguida, uma operação de resgate foi montada, revelando cenas dramáticas:
- Um bebê prematuro de apenas cinco dias de vida foi colocado dentro de um cooler para evitar contato direto com a água
- A criança ficou à deriva até ser encontrada por equipes de resgate
- A mãe do bebê, que havia viajado a Manaus para dar à luz, também foi salva
- Ambos foram levados para atendimento médico
Alertas ignorados e momentos de tensão
Testemunhas relataram momentos de tensão antes do naufrágio. Uma passageira afirmou que chegou a alertar o piloto da lancha para reduzir a velocidade por causa do banzeiro, ondas fortes comuns na região do Encontro das Águas.
Em um vídeo gravado enquanto estava à deriva, ela relatou que havia pedido para o condutor "ir devagar", indicando possíveis negligências que serão investigadas pelas autoridades.
Vítimas do naufrágio
Entre as vítimas fatais estão:
- Samila de Souza, de 3 anos - Havia viajado para Manaus pela primeira vez e retornava para Urucurituba
- Lara Bianca, de 22 anos - Natural de Nova Olinda do Norte, estudava odontologia em Manaus e estava prestes a terminar a graduação
- Fernando Grandêz, de 39 anos - Cantor gospel que participava de eventos religiosos na capital amazonense
A empresa Lima de Abreu Navegações, responsável pela lancha, afirmou em nota que lamenta o ocorrido, disse que a embarcação estava regularizada e com a documentação em dia e informou que está colaborando com as investigações.
Agora, Pedro deve ser encaminhado à uma unidade prisional onde ficará à disposição da Justiça, enquanto as famílias das vítimas aguardam respostas sobre as causas do trágico naufrágio que marcou profundamente a comunidade amazonense.
