Operação de resgate no Amapá salva navio mercante após 20 dias à deriva
A Marinha do Brasil concluiu com sucesso uma complexa operação de resgate no litoral do Amapá, salvando o navio mercante MV Latifa, que estava à deriva há mais de 20 dias sem sistema de propulsão. A embarcação, que enfrentava grave escassez de alimentos e representava risco ambiental por transportar resíduos oleosos, deve atracar nesta quarta-feira (15) no porto de Santana, após um reboque de aproximadamente 580 quilômetros.
Origem do incidente e pedido de socorro
O MV Latifa havia partido de Cartagena, na Colômbia, com destino final a Montevidéu, no Uruguai, mas perdeu completamente sua capacidade de propulsão quando navegava pela costa do estado do Pará. Sem condições de continuar a viagem, a tripulação foi forçada a lançar âncora próximo à cidade de Calçoene, no Amapá, onde permaneceu em situação de vulnerabilidade.
No dia 29 de março, o comandante do navio emitiu um pedido de socorro urgente, relatando à Marinha a falta crítica de mantimentos e as condições precárias enfrentadas pela tripulação. Imediatamente, o Salvamar Norte, com sede em Belém, acionou o Navio-Patrulha Bocaina para iniciar as operações de assistência.
Assistência humanitária e decisão pelo reboque
Em 1º de abril, a equipe da Marinha alcançou o MV Latifa e providenciou água potável e alimentos suficientes para 15 dias, aliviando a situação de emergência dos marinheiros. Um médico a bordo avaliou minuciosamente a saúde de todos os tripulantes, enquanto técnicos especializados vistoriaram as condições estruturais da embarcação.
Diante da inércia do proprietário do navio em resolver a situação, a Marinha do Brasil tomou a decisão de iniciar o reboque no último sábado (11), amparada pela Lei nº 7.203, de 1984, que regulamenta a assistência e o salvamento de embarcações em perigo nas águas jurisdicionais brasileiras.
Trajeto e chegada a Santana
O percurso de reboque entre Calçoene e Santana, com cerca de 580 quilômetros, foi realizado com extremo cuidado devido às condições do navio. No trecho final da operação, o Navio-Patrulha Bocaina recebeu apoio fundamental de uma outra embarcação da Marinha, garantindo a segurança durante toda a manobra.
Ao chegar em Santana, o MV Latifa passará por uma série rigorosa de inspeções conduzidas por múltiplas autoridades:
- Capitania dos Portos do Amapá
- Polícia Federal
- Receita Federal
- Ministério Público do Trabalho
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Estas fiscalizações têm como objetivo verificar as condições técnicas da embarcação, a situação documental, possíveis questões trabalhistas e, principalmente, avaliar e conter qualquer risco ambiental representado pelos resíduos oleosos transportados.
Importância da operação e contexto regional
Esta operação de resgate destaca a capacidade operacional da Marinha do Brasil em responder a emergências marítimas de grande complexidade na região Norte do país. O incidente ocorre em um contexto onde as águas amazônicas têm testemunhado diversas situações de risco, como evidenciado por recentes ações de desobstrução de canais em comunidades do Bailique e operações de resgate de fauna marinha.
A atuação rápida e eficiente das autoridades navais evitou uma potencial tragédia humanitária e um desastre ambiental, demonstrando a importância dos mecanismos de segurança e salvamento marítimo estabelecidos na legislação brasileira.



