Naufrágio no Encontro das Águas deixa duas mortas e sete desaparecidas em Manaus
Naufrágio em Manaus deixa duas mortas e sete desaparecidas

Tragédia no Encontro das Águas: duas vítimas fatais e sete desaparecidos após naufrágio em Manaus

Uma profunda comoção toma conta do Amazonas neste fim de semana após o naufrágio da lancha de transporte Lima de Abreu XV, que afundou na tarde de sexta-feira (13) no famoso Encontro das Águas, em Manaus. O acidente marítimo já confirmou duas vítimas fatais e mantém sete pessoas desaparecidas, enquanto equipes de resgate continuam as buscas intensivas na região.

Velórios separam famílias em luto

Neste sábado (14), familiares e amigos se despedem das jovens vítimas: Lara Bianca, de 22 anos, natural de Nova Olinda do Norte, e Samila de Souza, de apenas 3 anos, da cidade de Urucurituba. O corpo de Lara está sendo velado em uma igreja evangélica no centro de sua cidade natal, com enterro marcado para domingo (15). Já os restos mortais de Samila foram levados para Urucurituba, comunidade vizinha, onde ocorrerá o velório, sem confirmação ainda sobre o local do sepultamento.

A tragédia foi tão impactante que a prefeitura de Nova Olinda do Norte cancelou todas as festividades de Carnaval programadas para a cidade. Moradores afirmam que não há clima para comemorações diante da dor que assola a comunidade. O caso se tornou o principal assunto no município de pequeno porte, onde todos parecem conhecer alguém afetado pela tragédia.

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Perfis das vítimas: sonhos interrompidos

Lara Bianca era uma jovem promissora que estudava odontologia em Manaus e estava prestes a concluir sua graduação. Nas redes sociais, familiares e colegas a descreviam como "uma menina meiga, educada" que sempre deu muito orgulho para a família. Sua dedicação aos estudos era reconhecida por todos que a conheciam.

Já Samila de Souza vivia um momento especial: estava em Manaus pela primeira vez na vida. Segundo relatos familiares, ela viajou da cidade de origem para a capital amazonense acompanhada da avó, um tio e o irmão de 8 anos para passar as férias. O grupo retornava ao interior quando o acidente aconteceu. "Ela queria muito conhecer Manaus. Foi a primeira vez dela aqui. Era uma criança muito dócil, gostava de brincar, cantar", contou emocionada a tia Kailane Souza.

O momento do acidente e as buscas

O naufrágio ocorreu por volta das 12h30 de sexta-feira, pouco depois da embarcação da empresa Lima de Abreu Navegações sair de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte. Vídeos obtidos pela Rede Amazônica mostram cenas dramáticas com várias pessoas na água, inclusive crianças, em cima de botes salva-vidas enquanto aguardavam socorro. As imagens também registram embarcações próximas tentando auxiliar no resgate das vítimas.

Uma passageira que ficou à deriva relatou em vídeo que havia alertado o condutor da lancha para diminuir a velocidade devido ao banzeiro (ondas turbulentas características da região). No registro, gravado enquanto ela estava na água, a mulher afirma claramente: "falei para ir devagar".

Segundo o Corpo de Bombeiros, 71 pessoas foram resgatadas com vida da tragédia. A Marinha do Brasil informou que mantém equipes especializadas nas buscas pelo naufrágio da embarcação Lima de Abreu XV, empregando:

  • Uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste
  • Uma embarcação do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas
  • Duas lanchas da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental

De acordo com a Marinha, as buscas continuam neste sábado (14) tanto na área do acidente quanto nas margens dos rios, com apoio de embarcações e mergulhadores. A corporação coletou dados dos sobreviventes para ajudar tanto nas buscas quanto na apuração detalhada do caso.

Investigações e responsabilidades

O comandante da lancha, identificado como José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, foi preso em flagrante no porto da capital, onde se encontrava com outros sobreviventes. Contudo, após o pagamento de fiança, foi colocado em liberdade e responderá pelo crime de homicídio culposo.

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Foi instaurado um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para investigar minuciosamente as causas e responsabilidades do acidente, conforme prevê a legislação marítima brasileira. As autoridades buscam entender completamente as circunstâncias que levaram ao trágico naufrágio no emblemático Encontro das Águas.