Marinha do Brasil realiza resgate de navio africano após dois meses à deriva no Atlântico
A Marinha do Brasil concluiu com sucesso o resgate de um navio africano que estava à deriva há quase dois meses no Oceano Atlântico. A embarcação foi rebocada para o Porto de Fortaleza, no Ceará, onde a tripulação de 11 pessoas recebeu atendimento médico e apoio humanitário.
Tripulantes recebem atendimento após situação crítica
Nesta quinta-feira (2), seis dos onze resgatados foram atendidos na UPA da Praia do Futuro em Fortaleza, enquanto os outros cinco aguardavam atendimento para o período da tarde. De acordo com a Polícia Federal, os tripulantes foram encontrados em condições alarmantes, incluindo:
- Condições mínimas de higiene
- Restrições no acesso à água potável
- Elevado nível de estresse psicológico
- Falta de comunicação com familiares
A composição da tripulação revela que nove dos onze membros são originários de Gana, na costa ocidental da África, enquanto os outros dois são da Europa – um dos Países Baixos e um da Albânia. Todos permanecem alojados no próprio navio enquanto aguardam a regularização de sua situação.
Problemas técnicos levaram à situação de emergência
Conforme informações apuradas, a embarcação havia partido do Senegal com destino à Guiné-Bissau, onde seriam realizadas atualizações documentais relacionadas ao novo armador. Durante a viagem, um problema hidráulico tornou inviável a comunicação com o comandante, comprometendo tanto o sistema satelital quanto a comunicação via rádio High Frequency (HF).
A única forma de contato remanescente era através do sistema Very High Frequency (VHF), que permitia apenas receber informações de navios próximos, limitando drasticamente a capacidade de pedir ajuda. Esta situação precária manteve o navio à deriva por semanas até a intervenção das autoridades brasileiras.
Operação de resgate envolveu múltiplas embarcações da Marinha
A operação de resgate foi iniciada em 9 de março, quando o Navio-Patrulha Oceânico Araguari foi enviado para interceptar a embarcação africana, estabelecer comunicações e avaliar o estado da tripulação. Simultaneamente, a Corveta Caboclo partiu de Salvador, na Bahia, com destino a Fortaleza para reforçar a missão.
Alguns dias depois, o Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo desatracou do porto de Natal, no Rio Grande do Norte, resgatou o navio estrangeiro e o conduziu em segurança até o Porto de Fortaleza, onde chegou em 27 de março.
Autoridades atuam na regularização da situação
Até o momento, nenhum responsável legal pela embarcação se apresentou às autoridades brasileiras. A Polícia Federal está atuando na verificação da situação migratória dos tripulantes, em articulação com a Marinha do Brasil e outros órgãos competentes, sempre observando os preceitos humanitários e a legislação vigente.
O Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff, destacou o sucesso da operação: "As ações referentes às atividades de Busca e Salvamento desenvolvidas pela Marinha do Brasil resultaram no salvamento do navio, na manutenção da segurança da navegação e na prevenção da poluição hídrica. Porém, o êxito no cumprimento da missão reside na integridade física e psicológica dessas 11 vidas que poderão, em breve, voltar para os seus lares".
A operação demonstra o compromisso da Marinha do Brasil com a segurança marítima e a proteção humanitária, garantindo que vidas em perigo no mar recebam o auxílio necessário independentemente de sua origem nacional.



