Sobreviventes relatam detalhes de acidente fatal com lancha na divisa SP-MG
Acidente com lancha na divisa SP-MG: sobreviventes dão detalhes

Sobreviventes detalham acidente fatal com lancha na divisa entre São Paulo e Minas Gerais

Os sobreviventes do acidente com uma lancha que colidiu contra um píer no Rio Grande, na divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, estão fornecendo relatos detalhados sobre a tragédia que resultou na morte de seis pessoas. O acidente ocorreu na noite de sábado (21), quando o grupo retornava para um chalé após passar o dia em um bar flutuante.

Marinha retifica informação sobre habilitação do piloto

Em uma nota oficial divulgada nesta segunda-feira (23), a Marinha do Brasil retificou uma informação anteriormente divulgada, confirmando que o piloto da embarcação, Wesley Carlos da Silva, de 45 anos, não possuía a Carteira de Habilitação de Amador (CHA). Wesley foi uma das vítimas fatais do acidente.

"Após nova verificação, realizada com a chegada dos peritos da Marinha do Brasil ao local e diante de uma apuração mais detalhada dos fatos, constatou-se que não há registro de que ele possuía Carteira de Habilitação de Amador", afirmou a Marinha em comunicado.

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A instituição também informou que a embarcação possuía documento de inscrição emitido pela Marinha do Brasil, e que uma equipe especializada coletou elementos iniciais para a instauração do Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN).

Contradições sobre a iluminação do píer

Enquanto a Defesa Civil afirma que o píer onde ocorreu o acidente estava devidamente iluminado, os sobreviventes relatam uma situação completamente diferente. Rogério Souza, uma das testemunhas, descreveu o momento do impacto:

"Eu estava com meu celular na frente com a luz iluminando, porque a gente não estava enxergando direito. De repente, vi a estrutura de madeira, foi onde eu gritei: 'vai bater'. Não estava iluminado, estava desligado. Você só vê iluminação em outras filmagens que fizeram, que ele está aceso na hora do resgate, mas na hora em que a gente passou, ele estava desligado".

A Marinha esclarece que a navegação noturna é permitida para embarcações devidamente equipadas com luzes de navegação, e que estruturas como píeres devem ser iluminadas por luzes fixas durante a noite para evidenciar toda sua extensão.

Detalhes do acidente e vítimas

O acidente aconteceu entre as cidades de Rifaina, em São Paulo, e Sacramento, em Minas Gerais, por volta das 22h do sábado. Das quinze pessoas que estavam a bordo da lancha, nove sobreviveram e seis perderam a vida.

Segundo relatos dos sobreviventes, o piloto teria errado o caminho e estava realizando um retorno no rio quando a embarcação colidiu contra a estrutura do píer. Com o impacto violento, parte dos ocupantes foi arremessada para trás e ficou presa quando a lancha virou na água.

A Marinha destacou que é obrigatório que todos os tripulantes e passageiros utilizem continuamente coletes salva-vidas em embarcações de médio porte e miúdas com convés aberto e sem cabine habitável. No acidente, apenas três pessoas estavam usando os equipamentos de segurança.

As vítimas fatais eram todas moradoras de Franca, no interior de São Paulo, e foram enterradas nesta segunda-feira (23). As identidades das pessoas que perderam a vida são:

  • Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira - 40 anos
  • Wesley Carlos da Silva - 45 anos
  • Bento Aredes - 4 anos
  • Viviane Aredes - 35 anos
  • Erica Fernanda Lima - 40 anos
  • Marina Matias Rodrigues - 22 anos

Contexto do passeio e investigações

O grupo aproveitava o fim de semana em uma casa localizada do lado mineiro da represa. No sábado, realizaram um passeio em um bar flutuante, com alguns participantes chegando a postar fotos nas redes sociais durante a atividade recreativa.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais, que busca esclarecer todas as circunstâncias que levaram ao acidente fatal. As autoridades estão analisando fatores como a possível falta de habilitação do condutor, as condições de iluminação no local do acidente e o cumprimento das normas de segurança náutica.

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Este trágico incidente levanta importantes questões sobre segurança em atividades náuticas recreativas, especialmente em regiões de divisa estadual onde diferentes jurisdições podem aplicar regulamentações específicas para a navegação em corpos d'água compartilhados.