Varal de luzes próximo à piscina causou choque fatal em pousada de Maragogi
O Instituto de Criminalística (IC) de Maceió divulgou, nesta sexta-feira (5), que um varal de luzes decorativo instalado ao lado de uma piscina foi a causa do choque elétrico que matou a turista Luciana Klein Helfstein, de 39 anos, e seu filho Arthur Klein Helfstein Alves, de 11 anos. O trágico acidente ocorreu em 4 de janeiro de 2026, na pousada Almaré, localizada no município de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas.
Perícia técnica identifica violação grave de normas de segurança
De acordo com o laudo pericial, os especialistas José Veras e Diozênio Monteiro realizaram exames complementares na estrutura da piscina e identificaram que a instalação do varal de luzes infringia diversas prescrições da norma técnica ABNT NBR 5410. As investigações revelaram um cenário de alto risco devido à combinação de fatores perigosos.
O perito Diozênio Monteiro, especialista em engenharia elétrica, explicou em detalhes a situação encontrada: "Verificamos que o conector tipo plugue macho, situado no flanco direito do conjunto, encontrava-se em contato direto com a estrutura metálica do guarda-corpo, promovendo a energização acidental de toda a referida estrutura. Medições técnicas realizadas no local confirmaram um potencial elétrico de aproximadamente 220 V (duzentos e vinte Volts) na superfície metálica".
Área da piscina classificada como de alta criticidade
O laudo pericial destacou que a área da piscina, por estar comumente molhada, configura um ambiente de alta criticidade para acidentes elétricos. A presença de água aumenta significativamente o risco de choques fatais, especialmente quando combinada com estruturas metálicas energizadas acidentalmente.
Os peritos enfatizaram que os frequentadores da piscina estavam expostos a um "cenário de risco derivado diretamente da negligência, imprudência ou imperícia dos responsáveis". A ausência de medidas de controle adequadas e a inobservância das normas técnicas transformaram o local de lazer em uma armadilha letal para os hóspedes desavisados.
Sequência dos fatos e tentativas de socorro
Inicialmente, havia suspeita de afogamento quando Luciana e Arthur foram encontrados no fundo da piscina localizada na cobertura da pousada. O companheiro de Luciana, que havia viajado com a família de São Paulo para aproveitar as férias, percebeu a ausência dos dois após constatar problemas no chuveiro elétrico do quarto.
Ao localizar mãe e filho na piscina, ele imediatamente tentou socorrê-los com a ajuda de outros hóspedes:
- Retirou as vítimas da água
- Realizou manobras de reanimação
- Acionou o Corpo de Bombeiros
As vítimas foram encaminhadas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local, mas não resistiram aos ferimentos. Posteriormente, o Instituto Médico Legal de Maceió confirmou, em 6 de janeiro, que a causa das mortes foi choque elétrico, com exames cadavéricos identificando sinais claros da passagem de corrente elétrica pelos corpos.
Investigações em andamento e responsabilidades
A Polícia Científica continua analisando imagens do sistema de videomonitoramento da piscina para complementar as investigações. Todo o conjunto de provas técnicas coletado pelo IML e pelo Instituto de Criminalística será consolidado em laudos definitivos e encaminhado à Polícia Civil, que conduz o inquérito para esclarecer as responsabilidades pelo incidente.
Antes da divulgação oficial da causa das mortes, a pousada Almaré emitiu uma nota classificando o episódio como "trágico incidente" e expressando solidariedade aos familiares e amigos das vítimas. O g1 tentou contato com a pousada para obter mais informações, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Velório e sepultamento em São Paulo
Os corpos de Luciana e Arthur foram enterrados em 7 de janeiro, no Cemitério Parque dos Girassóis, localizado no bairro de Parelheiros, em São Paulo. Uma amiga da família, que preferiu não se identificar, relatou que Arthur era o único filho de Luciana e descreveu a mãe como "uma pessoa que estava sempre contente. Nunca vi ela triste. Estava sempre brincando e dando risada".
Além do namorado, com quem mantinha relacionamento há cinco anos, Luciana deixa 11 irmãs e os pais. Os corpos chegaram ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na terça-feira (6), e seguiram diretamente para o cemitério onde foram velados e sepultados.
Este trágico caso serve como um alerta sobre a importância crucial da observância rigorosa das normas técnicas de segurança elétrica, especialmente em áreas úmidas como piscinas, onde o risco de acidentes fatais é exponencialmente maior quando há negligência na instalação e manutenção de equipamentos elétricos.



