Estudo da UFRPE propõe reabertura segura da Baía do Sueste em Noronha
UFRPE propõe reabertura segura da Baía do Sueste em Noronha

Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) estão desenvolvendo um protocolo para permitir a reabertura da Baía do Sueste, localizada em Fernando de Noronha. O local permanece interditado para banho e mergulho desde o último incidente com tubarão, ocorrido em 2022, quando uma menina de 8 anos foi mordida e perdeu uma perna. Atualmente, os visitantes só podem caminhar na areia e apreciar a paisagem, sem acesso ao mar.

Histórico de incidentes

Além do caso de 2022, a Baía do Sueste já havia registrado outro ataque grave em 2015, quando o turista Márcio de Castro foi mordido por um tubarão-tigre e teve o braço amputado. Esses são os dois episódios mais severos já registrados na ilha. Segundo Paulo Oliveira, pesquisador da UFRPE e coordenador do Projeto Ecotuba, a decisão de restringir o acesso foi acertada. “O Sueste é uma baía semifechada, voltada para o mar aberto, com presença de resíduos e muitas tartarugas, que são alimento do tubarão-tigre”, explicou.

Monitoramento e protocolo

A UFRPE monitora a presença de tubarões em Noronha há 12 anos. Após o ataque de 2022, a área chegou a ser reaberta para mergulho, mas foi novamente fechada quando tubarões-tigre foram identificados na região. O novo protocolo será submetido ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Oliveira destaca que o objetivo é estabelecer regras mais seguras para permitir o banho de mar no Sueste. “O protocolo precisa ser claro e aceito pela população. A Baía do Sueste sempre foi uma das principais praias da ilha, junto com o Porto de Santo Antônio”, afirmou.

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Transparência da água como critério

O pesquisador apontou que a transparência da água será um dos principais critérios para uma possível reabertura. “A transparência da água varia ao longo do ano. Quando a água está turva, fica mais difícil ver a aproximação de tubarões. Por isso, é importante que as pessoas evitem entrar no mar nessas condições”, indicou.

Riscos e reabertura gradual

Paulo Oliveira alertou que a reabertura envolve riscos. “Não é possível garantir segurança total. Em qualquer lugar do mundo onde já houve incidente, novos casos podem acontecer. A ideia é apresentar um protocolo com base nos estudos, mesmo que a liberação seja parcial”, afirmou. Caso o protocolo seja aprovado, a reabertura será gradual: primeiro para pesquisas, depois para mergulhos em grupo e, por fim, para o banho.

Posição do ICMBio

Em nota, o ICMBio informou que busca alternativas para liberar o banho e o mergulho na Praia do Sueste, além de manter a segurança em outras praias. O órgão ressaltou, no entanto, que ainda não existe um protocolo considerado seguro para apresentar à comunidade.

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