Bebê sofre corte na cabeça em creche municipal de Américo Brasiliense, SP
Os pais de um bebê de 1 ano e 10 meses estão em busca de respostas após o filho sair da creche municipal CER Carolina Ometto Pavan, em Américo Brasiliense, interior de São Paulo, com um corte na cabeça no dia 9 de abril. O empresário Rafael Pereira, pai da criança, relatou ao g1 que o menor apresenta sinais de trauma e se recusa a voltar à unidade educacional.
"Ele não está indo para a creche porque, quando a gente pega ele para ir, ele chora, fica todo desesperado, então a gente não está levando ele", afirmou Pereira, demonstrando a angústia da família diante do ocorrido.
Investigação policial e sindicância interna
A Secretaria de Segurança Pública informou que o caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Américo Brasiliense, onde é investigado como lesão corporal. A Polícia Militar foi acionada para atender a ocorrência por volta das 18h30 do dia 9 de abril, no Hospital Dr. José Nigro Neto.
No local, os policiais conversaram com a médica que atendeu a criança, que relatou que o menor estava com um corte no lado direito da cabeça. Segundo o atendimento médico, o ferimento foi causado horas antes do atendimento, indicando que teria ocorrido durante o período em que a criança estava na creche.
Em nota oficial, a Prefeitura de Américo Brasiliense disse que instaurou sindicância interna, com "o objetivo de apurar os fatos de forma criteriosa e responsável, a fim de verificar o que possa ter ocorrido". O Departamento de Educação do município e a direção da unidade escolar afirmaram que realizaram reunião com a família da criança para prestar esclarecimentos iniciais e oferecer apoio necessário.
Sequência dos fatos e contradições
De acordo com o relato do pai, a criança estuda no berçário da instituição e era buscada diariamente por uma babá às 16h40. Quando o empresário recebeu o filho em sua loja por volta das 17h, percebeu imediatamente o ferimento na cabeça e tentou questionar a creche, mas o local já estava fechado.
"Quando chegamos no hospital, a médica falou que se tratava de um ferimento que o sangue estava coagulado e pela textura já fazia mais de 3 horas que tinha acontecido", detalhou Rafael Pereira.
O pai afirmou que a escola não soube informar o que ocorreu e revelou uma série de contradições: enquanto em reuniões anteriores a creche havia informado aos pais que possuía câmeras para monitoramento das crianças, agora afirmam que não há imagens disponíveis e que uma câmera no portão da escola não grava.
Outro ponto levantado pela família é que a camiseta usada pela criança no dia do ocorrido não foi devolvida pela escola. "A gente não sabe, a gente está atrás de respostas. Tinha uma camiseta que veio na troca, que estava com um pouco de sangue, mas a que ele estava mesmo quando foi para a creche não voltou", disse o pai, que acredita que a roupa possa ter sido lavada.
Babá é isentada de suspeitas
Rafael Pereira foi enfático ao isentar a babá da criança de qualquer responsabilidade pelo ocorrido. "As crianças gostam de ficar com ela, inclusive o Henrique, que é o neném, fica com ela. Se tivesse sido ela, ele estaria com um pouco de receio, né? Porque eu imagino que deve ter doído muito", argumentou.
O empresário afirmou que a babá continua trabalhando com a família e é considerada supercuidadosa no trato com as crianças.
Família busca justiça
O pai da criança expressou seu desejo de que o responsável pelo ferimento no filho seja devidamente punido. "Foi uma coisa que aconteceu e foi grave. Se fosse a gente no lugar, acho que até preso a gente já estaria", declarou Rafael Pereira, demonstrando a frustração com a falta de clareza sobre o ocorrido.
A prefeitura, em seu posicionamento, afirmou que permanece à disposição da família para quaisquer esclarecimentos adicionais e para o acompanhamento de todas as providências necessárias, ressaltando seu compromisso com a segurança, o bem-estar e a integridade de todos os estudantes da rede municipal.
Enquanto isso, a família aguarda os resultados da investigação policial e da sindicância interna instaurada pela prefeitura, na esperança de obter respostas concretas sobre como seu filho de 1 ano e 10 meses sofreu um corte na cabeça durante o período em que estava sob os cuidados da creche municipal.



