Um prédio público que abrigava uma unidade da Fundação Casa em Campinas (SP), desativada em janeiro de 2022, tornou-se um ponto de descarte irregular de lixo e abrigo para pessoas em situação de rua. A situação tem gerado insegurança entre os moradores do bairro Jardim São Vicente, que se mobilizam para solicitar a instalação de uma escola técnica no local.
Mobilização por uma escola técnica
Ronei da Silva, técnico em qualidade e integrante do grupo que busca soluções, explicou a motivação: "Nós não temos uma Etec [Escola Técnica Estadual] aqui perto ou uma Fatec [Faculdade de Tecnologia do Estado]. Por conta disso, a gente está pensando nos jovens, né? Com esse propósito. A gente quer sair de uma situação basicamente de não dar oportunidade para o jovem e criar algo que é totalmente o inverso, né?". A proposta foi apresentada ao presidente da Fundação Casa e avaliada pelo Centro Paula Souza, órgão responsável pelas escolas técnicas. Um abaixo-assinado foi protocolado na Prefeitura.
Atualmente, a escola técnica mais próxima do bairro está a mais de 7 quilômetros de distância, no bairro Cambuí. O Centro Paula Souza informou, em nota, que está em fase inicial o estudo sobre a viabilidade da implantação de uma Etec no Jardim São Vicente.
Abandono e transtornos
A unidade de internação para adolescentes foi fechada devido à queda no número de internos – na época, operava com menos da metade da capacidade de 70 jovens. Os reeducandos foram remanejados para outras unidades. Sem uso e vigilância, o prédio virou ponto de descarte de lixo, principalmente no muro às margens da Avenida Paulo Cuba de Souza.
O borracheiro Veneraldo Lopes lamentou: "Está bem feio, né? Está um lixão. Fica parecendo que tá tudo abandonado, né?". O cenário contrasta com a própria avenida, que recebeu recentemente manutenções de paisagismo. A aposentada Maria das Eggers reclamou: "A calçada dali virou descarte de lixo, né? Fizeram uma avenida bonita, tem os coqueiros lá, tudo, mas não tem como. Muito, muito lixo".
Além do lixo, os moradores relataram a presença de pessoas em situação de rua no entorno e em estruturas improvisadas dentro da área do antigo centro de internação, gerando sensação de insegurança. A técnica de enfermagem Maria do Carmo de Oliveira contou: "A gente fica com medo de passar ali, né? Quem passa ali precisa tomar cuidado, fica cheio de pessoas ali abandonadas, pessoas de rua, é perigoso". Maria das Eggers complementou: "É difícil quando vamos ao postinho. Precisa se benzer, né? Tem de se benzer e seguir em frente. E se tiver com muita sacola ou bem arrumadinha, desperta mais atenção". Em entrevista à EPTV, moradores que não quiseram se identificar relataram existir um ponto de tráfico de drogas próximo ao prédio abandonado.
Medidas das autoridades
A Secretaria de Serviços Públicos de Campinas informou que a limpeza do espaço será realizada até o início da próxima semana. "A limpeza no local é feita regularmente. Entretanto, trata-se de um ponto viciado de descarte irregular de lixo", alegou. Somente em 2026, a pasta já recolheu 13,5 mil toneladas de lixo em 114 pontos como este em toda a cidade. A cerca de 10 minutos do local está localizado o Ecoponto do bairro São Gabriel. Campinas conta com 16 ecopontos para descarte voluntário de materiais. Os moradores que observarem descarte irregular devem acionar a Guarda Municipal pelo telefone 153 ou informar pelo 156.
A Fundação Casa afirmou que mantém vigilância e manutenção periódica no prédio e está em contato com os órgãos competentes sobre a destinação da área. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que o policiamento será intensificado na região, com reforço no patrulhamento preventivo. Como resultado, no primeiro bimestre deste ano, os roubos em geral caíram 27,3% e os furtos, 15% nesta região da cidade, e 773 infratores foram presos e apreendidos no município. A Polícia Civil reforça a importância do registro do boletim de ocorrência.
A Prefeitura informou que não tem nada em relação à mediação com o Estado sobre a instalação de alguma instituição de ensino no local.



