Transporte Eficiente de Teresina tem frota recolhida após decisão judicial e prejudica pessoas com deficiência
Transporte Eficiente de Teresina tem veículos recolhidos pela Justiça

Transporte Eficiente de Teresina tem frota recolhida após decisão judicial

Os usuários do Transporte Eficiente de Teresina, serviço voltado para pessoas com deficiência, enfrentam dificuldades crescentes para acessar o direito ao transporte garantido. Além da frota reduzida há aproximadamente dois meses, o serviço foi suspenso em três zonas da capital piauiense nesta quinta-feira (9), criando um cenário de incerteza para centenas de cidadãos.

Suspensão em três zonas e troca de empresa

Segundo a Superintendência de Transportes e Trânsito de Teresina (Strans), as zonas Leste, Sul e Sudeste estão sem ônibus do Transporte Eficiente, pois eram atendidas pela empresa Santa Cruz. Uma decisão judicial autorizou a troca da empresa através de nova licitação e determinou o recolhimento dos veículos da antiga operadora.

O Centro e a Zona Norte de Teresina, atendidos pela nova empresa responsável Transpremium desde segunda-feira (6), continuam com o serviço funcionando normalmente. A Strans informa que a previsão é de que o Transporte Eficiente volte a operar em toda a capital a partir de sexta-feira (10).

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Recolhimento dos veículos com apoio policial

A Prefeitura de Teresina acusa a Santa Cruz de má administração dos 20 ônibus que pertenciam à empresa. Desses veículos, apenas sete apresentam condições adequadas de funcionamento. Desde a manhã desta quinta-feira, todos os ônibus estão sendo recolhidos nas garagens da empresa, por determinação judicial, com o apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal (GCM).

O consórcio das empresas de transportes urbanos de Teresina enviou nota ao g1 afirmando que o recolhimento dos ônibus extrapolou os limites da decisão judicial ao atingir empresas que não fazem parte do processo. "Os veículos encontravam-se nas garagens, com motoristas mobilizados e aguardando ordem de serviço e mapa de operação, retidos indevidamente pela Prefeitura", disse o consórcio.

Deterioração do serviço ao longo dos anos

Criado em 2010 e operado pela antiga empresa desde 2014, o Transporte Eficiente oferece atendimento "porta a porta" para pessoas com deficiência, que agendam o transporte com antecedência para trabalhar, estudar e realizar consultas ou exames médicos.

A Strans relata que, ao longo dos anos, as condições dos ônibus pioraram significativamente: muitos apresentavam problemas como falta de peças ou danos no motor. Desde fevereiro, os veículos disponíveis foram reduzidos até o limite de um único ônibus para toda a cidade.

O presidente da Associação dos Cadeirantes de Teresina (Ascamte), Osvaldo de Carvalho, conta que, no ápice da redução da frota, o serviço funcionava em uma espécie de "rodízio". "Muitos ônibus estavam em manutenção, então a gente chegou a passar por rodízio de zonas. Eles tinham condição de rodar só com dois carros, colocavam um por zona. A gente tinha que se programar", explica Osvaldo.

"A gente tinha o direito de andar aos fins de semana e feriados, isso foi tirado também. Tudo alegando falta de repasse", destaca o presidente da associação.

Impacto direto na população atendida

Atualmente, 400 pessoas utilizam o Transporte Eficiente, de acordo com o recadastramento feito pela Strans entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. A superintendência explica que, em 2025, o serviço chegou a ter mais de 1.500 usuários, mas muitos eram temporários, alguns faleceram e outros desistiram devido às condições precárias.

Para Osvaldo de Carvalho, a frota mínima ideal seria de dois veículos por zona. Com a nova operação, a Strans espera, inicialmente, ofertar pelo menos um ônibus em cada região de Teresina. "Hoje a gente passa por rotas extremas, roda muito para atender todo mundo. Tem gente que só permanece pela necessidade, porque não tem outro meio", completa o presidente da Ascamte.

O Consórcio Operacional do Sistema Integrado de Transporte (SITT) manifestou preocupação e repúdio quanto à forma de cumprimento do mandado judicial, afirmando que a decisão era clara ao direcionar a ordem apenas à empresa Expresso Santa Cruz Ltda. O consórcio alega que os operadores não se recusam à prestação do serviço e que adotará medidas para apuração dos fatos e resguardo das garantias legais.

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