Tarifa de ônibus em SP sobe para R$ 5,30 em 6 de janeiro; recarrega até hoje
Tarifa de ônibus em SP sobe para R$ 5,30 em 6 de janeiro

A partir das 0h desta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, os usuários do transporte público na cidade de São Paulo começarão a pagar mais pelo deslocamento. O valor da passagem de ônibus será reajustado em trinta centavos, passando de R$ 5,00 para R$ 5,30. O anúncio foi formalizado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) no dia 29 de dezembro.

Como garantir a tarifa antiga por mais tempo

Os passageiros que utilizam o Bilhete Único comum têm uma última chance de se proteger do aumento imediato. Para isso, é necessário realizar uma recarga nos postos da SPTrans até as 23h59 desta segunda-feira, 5 de janeiro. Quem fizer a operação dentro deste prazo conseguirá pagar a tarifa de R$ 5,00 por até 180 dias, até que os créditos se esgotem ou o período de seis meses termine.

De acordo com as regras da Prefeitura, cada usuário do Bilhete Único comum pode acumular até R$ 500,00 em créditos, o equivalente a 100 passagens. Já para os beneficiários do vale-transporte, o limite de recarga é maior, podendo chegar a R$ 1.000,00. Neste caso, a mesma regra se aplica: recarregando até o fim do dia 5, o valor congelado de R$ 5,00 será mantido pelos próximos seis meses.

Aumento também nos trens e metrô

O reajuste não se limita aos ônibus municipais. As tarifas dos trens e do Metrô também terão um aumento a partir do mesmo dia 6 de janeiro. O valor passará de R$ 5,20 para R$ 5,40, um acréscimo de vinte centavos. A decisão sobre o ajuste nestes modais foi autorizada pela gestão do governador Tarcísio de Freitas.

A administração municipal justifica o aumento de 6% na tarifa de ônibus afirmando que o índice ficou abaixo do IPC-Fipe Transporte Coletivo acumulado no ano, que foi de 6,5%. No entanto, o reajuste supera a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que acumulou 4,5% em 12 meses até novembro.

Pressão nos custos e subsídios recorde

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o prefeito Ricardo Nunes já havia sinalizado a necessidade de aumento, alegando a busca pelo "equilíbrio das contas" do sistema de transporte. Os números revelam uma pressão significativa: o subsídio municipal às empresas de ônibus ultrapassou a marca de R$ 6 bilhões em 2025, o maior valor da história da capital, mesmo sem contabilizar novembro e dezembro.

Um levantamento mostra que os custos operacionais das empresas subiram mais de R$ 492 milhões até outubro de 2025. No mesmo período, a arrecadação com as tarifas cresceu apenas R$ 410,3 milhões. Esse descompasso obrigou a prefeitura a injetar mais recursos públicos, elevando as compensações tarifárias em R$ 81 milhões. O custo total do sistema em 2025 já soma R$ 10,34 bilhões, contra uma arrecadação tarifária de R$ 4,3 bilhões.

Outro fator que deve pressionar ainda mais as tarifas no futuro é a revisão quadrienal dos contratos com as empresas, prevista para 2026. Estudos da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) indicam que essa revisão pode elevar os custos em pelo menos 9,88%.

Aumento se estende para cidades da Grande SP

A onda de reajustes não se restringe à capital. Cinco municípios da região Oeste da Grande São Paulo, integrantes do Consórcio Intermunicipal (CIOESTE), também anunciaram aumento em suas tarifas de ônibus. A partir do dia 5 de janeiro, a passagem em Osasco, Barueri, Carapicuíba, Jandira e Itapevi subirá de R$ 5,80 para R$ 6,10, um reajuste de 5,2%.

Os prefeitos das cidades envolvidas divulgaram um comunicado conjunto afirmando que a decisão foi tomada "com base em critérios técnicos e legais", visando a recomposição de custos e a manutenção da qualidade, segurança e regularidade do serviço oferecido à população.