Suspensão de ônibus intermunicipal prejudica moradores de Leme e Santa Cruz da Conceição
Passageiros que dependem do ônibus intermunicipal entre Leme (SP) e Santa Cruz da Conceição foram surpreendidos nesta semana com a suspensão da linha. Sem o transporte, moradores que utilizam o serviço para trabalhar, estudar ou realizar atividades cotidianas precisaram buscar alternativas urgentes. Até novembro do ano passado, cerca de 4,7 mil passageiros eram atendidos por mês pelo transporte, evidenciando a importância vital desta conexão para as comunidades.
Bloqueio da Artesp causa interrupção inesperada
A suspensão da linha intermunicipal entre Leme e Santa Cruz da Conceição ocorreu após bloqueio da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que apontou uso de veículo de outra empresa não cadastrada. A agência notificou a Limatur e aguarda regularização, enquanto a empresa afirma que o bloqueio não teve comunicação prévia, deixando usuários em situação de vulnerabilidade.
Impacto direto na rotina dos passageiros
A assistente administrativa Edilene Ribeiro mora em Leme e trabalha em Santa Cruz da Conceição. Ela relatou que na terça-feira, após o expediente, não conseguiu voltar para casa. "Deu 18h10, o ônibus não chegou e tem um moço que fica aqui andando. Aí ele falou: 'Olha, o ônibus não vem. Foi apreendido de novo no horário das 15h30'. Aí a gente teve que ligar pro pessoal lá de Leme vir buscar", contou ela, demonstrando a falta de informação que agrava o problema.
Sem saber quando o problema será resolvido, ela passou a se organizar com amigas para chegar ao trabalho. "Hoje eu vim com o meu carro, aí eu passo, pego o pessoal e dou carona. A gente vai revezando enquanto isso", disse Edilene. "Ou a gente pega carona, ou a gente vem de carro, mas é um transtorno grande sim. Para a gente que tem que vir todo dia, ir embora todo dia, é difícil", explicou a escrevente Milena Braga, destacando como a improvisação se tornou necessária.
Famílias enfrentam prejuízos em deslocamentos essenciais
A aposentada Lucimari Barbosa, moradora de Santa Cruz da Conceição, também depende do transporte para ir até Leme com os filhos. "Meus filhos, por exemplo, fazem terapia lá três vezes por semana. Tenho que sair daqui e ir para Leme. E tem a minha filha que tem aula aos sábados também. Então, quatro dias por semana nós usamos o ônibus", disse ela, revelando como a suspensão afeta diretamente tratamentos de saúde e educação.
O cenário se repete para dezenas de outras famílias que agora precisam reorganizar suas vidas sem o transporte público regular, aumentando custos com combustível e criando situações de estresse no deslocamento diário entre os municípios.
Posicionamentos das empresas e órgãos reguladores
A empresa Limatur, responsável pela linha, informou que a suspensão aconteceu após um bloqueio feito pela Artesp, sem comunicação prévia. Já a agência reguladora do transporte intermunicipal no estado disse que identificou a operação da linha com um veículo de outra empresa, que não está no cadastro de prestadores de serviço.
A Artesp informou que notificou a Limatur e aguarda a regularização, mas não forneceu prazo para a retomada do serviço, deixando os passageiros em situação de incerteza sobre quando poderão contar novamente com o transporte público essencial para suas atividades.



