Supercarreta de 120 metros transporta transformador de 540 toneladas pela Dutra em SP
Supercarreta de 120 metros leva carga milionária pela Dutra em SP

Supercarreta de 120 metros transporta transformador gigante pela Dutra em operação milionária

Uma operação de transporte especial de grande porte interrompeu trechos da Rodovia Presidente Dutra, em São Paulo, para a passagem de uma supercarreta com impressionantes 120 metros de comprimento e 380 pneus. O equipamento transportava um transformador gigante de 540 toneladas, fabricado em Guarulhos, na Grande São Paulo, com destino ao Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, para posterior envio à Arábia Saudita.

Operação logística complexa e custosa

Segundo Fabrício Verpa, gerente de logística responsável pelo transporte, o frete rodoviário da carga custou aproximadamente R$ 2 milhões e faz parte de uma operação logística que envolve meses de planejamento, estudos técnicos e autorizações especiais. "Eu coordeno toda a logística, da origem ao destino final. Contrato navio, transportadoras e faço o estudo de viabilidade", explicou Verpa.

O transformador, que mede 11 metros de comprimento por seis de largura, é o quarto de uma encomenda de 14 unidades destinadas ao projeto Neom, uma megainiciativa na Arábia Saudita que pretende criar uma cidade linear de 170 quilômetros de comprimento movida exclusivamente a energia renovável. A potência de um conjunto dessas unidades seria suficiente para alimentar duas cidades do tamanho de São Paulo.

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Engenharia modular e desafios estruturais

Para permitir o deslocamento com segurança pela principal rodovia do país, o peso foi distribuído ao longo da supercarreta, um conjunto modular e desmontável projetado especificamente para atravessar pontes e viadutos sem ultrapassar os limites estruturais. "Não é um caminhão único. A supercarreta é montada por módulos, conforme o peso da carga e o trajeto. É um lego gigante", detalhou o gerente de logística.

O conjunto utiliza quatro caminhões conectados, além de veículos de apoio, para vencer trechos sinuosos e aclives da rodovia. Com dezenas de metros de comprimento e centenas de pneus, a supercarreta exige bloqueios temporários, operação em contramão e circulação em horários de menor fluxo, geralmente à noite ou de madrugada.

Etapas da operação e desafios logísticos

A operação começou com o carregamento do transformador em uma fábrica em Guarulhos, seguiu por vias urbanas até o acesso à Dutra e terminou no Porto de Itaguaí. No porto, a supercarreta foi desmontada para que a carga pudesse ser embarcada em um navio, já que o conjunto completo não consegue acessar o terminal por causa das dimensões excepcionais.

Antes de a carga sair da fábrica, foi necessário obter a Autorização Especial de Trânsito (AET), emitida pelo DNIT após estudos que avaliaram pontes, viadutos e o traçado da rodovia. A programação envolveu ainda a Polícia Rodoviária Federal e a concessionária CCR RioSP.

Propriedade compartilhada e armazenamento modular

Não existe um único proprietário da supercarreta. Segundo Verpa, o equipamento é formado por módulos pertencentes a transportadoras especializadas, contratadas conforme cada projeto. No transporte deste transformador, duas empresas dividiram a operação, com conjuntos que se revezam: enquanto um segue viagem, outro é carregado e um terceiro já se prepara para a etapa seguinte.

Como é totalmente desmontável, a supercarreta não fica parada em um único pátio. Os módulos — eixos, rodas e vigas superiores — são armazenados em garagens das empresas envolvidas, em cidades como Arujá e Caieiras, ambas na Grande São Paulo. A montagem só acontece quando a operação começa efetivamente.

Custos detalhados e potência necessária

O valor do frete de aproximadamente R$ 2 milhões inclui:

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  • Estudos técnicos detalhados
  • Autorizações especiais de trânsito
  • Escoltas de segurança
  • Equipes de engenharia especializada
  • Pedágios (que aumentam conforme o número de eixos, superior a 50 nesse tipo de composição)

O conjunto é formado por quatro caminhões conectados, escolhidos de acordo com a Capacidade Máxima de Tração (CMT). "Se o peso bruto total chega a cerca de 850 toneladas, precisamos de caminhões com potência compatível. Aqui usamos quatro cavalos mecânicos de 300 toneladas de CMT cada, além de caminhões-reserva acompanhando", afirmou Verpa.

Desafio final no porto e impacto econômico

Ao chegar ao Porto de Itaguaí, a supercarreta é desmontada para permitir o embarque. Para evitar que o navio tombe ou afunde durante o içamento do transformador, é necessário um sistema de compensação. "O navio trabalha com um sistema de lastro, que é jogar o máximo de água nos seus tanques para compensar esse balanço no momento que ele suspende a carga", detalhou Alecsander Barbosa, gerente de operações do Sepetiba Tecon.

O sucesso dessas exportações gera emprego e impostos no Brasil, mas a dificuldade logística para honrar prazos internacionais acende um alerta: os compradores já reduziram a exigência de três para dois transformadores por navio para tentar evitar novos atrasos. Enquanto a Arábia Saudita acelera seus projetos para 2030, a infraestrutura brasileira ainda busca encontrar o seu próprio caminho para operações logísticas desta magnitude.

Ainda faltam entregar 11 transformadores, com novas interdições programadas na Dutra conforme o avanço do cronograma. Para Verpa, ver o equipamento finalmente embarcado representa um sentimento de dever cumprido: "Chegar e ver o bichão indo embora é uma satisfação muito grande".