Pesquisa global revela percepção limitada sobre acessibilidade do transporte público no Brasil
Uma pesquisa internacional realizada pela Ipsos, o Mobility Report 2026, envolvendo aproximadamente 23,7 mil adultos em 31 países, demonstra que a mobilidade urbana continua sendo um desafio significativo, particularmente em nações emergentes como o Brasil. O estudo destaca que apenas 17% dos brasileiros concordam fortemente que o transporte público em suas regiões é plenamente acessível, enquanto 33% concordam parcialmente com essa afirmação.
Brasil fica abaixo da média global em avaliação de acessibilidade
Em contraste com o cenário brasileiro, a média global apresenta uma percepção consideravelmente mais positiva: 62% dos entrevistados internacionais afirmam que o transporte público é acessível em seus respectivos países. A soma dos brasileiros que concordam fortemente ou parcialmente ainda indica uma maioria com percepção positiva, mas com intensidade reduzida de aprovação.
Segundo analistas da Ipsos, esse tipo de resposta reflete não apenas questões de preço ou cobertura do sistema, mas também fatores como tempo de deslocamento, segurança, conforto e confiabilidade dos serviços oferecidos. A pesquisa sugere que essas dimensões contribuem para a avaliação mais crítica observada no território nacional.
Diferenças geracionais na percepção sobre transporte público
O levantamento identificou variações significativas entre grupos etários no Brasil. Os Millennials brasileiros aparecem como os mais otimistas em relação ao transporte público, com 30% demonstrando concordância forte. Em contrapartida, a Geração Z mostra menor entusiasmo, com apenas 15% expressando concordância forte.
Essa disparidade geracional indica que experiências e expectativas distintas moldam as percepções sobre a eficácia dos sistemas de mobilidade urbana disponíveis.
Sustentabilidade influencia escolhas de mobilidade
A pesquisa também revela que preocupações ambientais já exercem peso relevante nas decisões de transporte. Globalmente, 46% das pessoas afirmam que prefeririam utilizar transporte público em vez de carro por razões ambientais. Entre os mais jovens, a Geração Z lidera esse movimento, com 48% demonstrando essa preferência, enquanto os Baby Boomers aparecem como os menos propensos (42%).
No Brasil, apesar das limitações estruturais identificadas, há sinais claros de adesão a políticas de mobilidade sustentável:
- 65% dos brasileiros apoiam a expansão de ciclovias
- 59% preferem caminhar ou usar bicicleta para manter-se ativos
- 51% são favoráveis à cobrança por congestionamento em áreas urbanas
Os números brasileiros aproximam-se da média global, indicando um alinhamento parcial com tendências internacionais de sustentabilidade urbana.
Carro elétrico ainda não é consenso no mercado brasileiro
Apesar do avanço da agenda climática global, o interesse por carros elétricos ainda não se consolidou como dominante. Em 31 países pesquisados, 47% dos entrevistados afirmam sentir-se atraídos por veículos elétricos. No Brasil, esse número é significativamente menor: apenas 36%, posicionando o país na 11ª colocação entre os mercados analisados.
A pesquisa destaca uma forte disparidade regional. Países da Ásia e da América Latina tendem a demonstrar maior abertura à tecnologia de veículos elétricos, enquanto economias avançadas apresentam mais resistência. A China lidera o ranking de aceitação, com 67% de interesse em carros elétricos e 73% acreditando que a maioria dos consumidores fará a transição nos próximos cinco anos.
Fatores demográficos influenciam percepções sobre mobilidade
O estudo da Ipsos também destaca diferenças baseadas em geração e gênero. Mulheres da geração Baby Boomer constituem o grupo menos interessado em veículos elétricos (31%), enquanto a média geral entre homens da mesma geração é de 39%. Essas diferenças sugerem que fatores como custo, infraestrutura de recarga e familiaridade tecnológica ainda representam barreiras significativas para a adoção em larga escala.
Cenário de transição urbana em ritmo desigual
A leitura geral da pesquisa indica um mundo em transição na mobilidade urbana, mas com ritmos desiguais entre diferentes regiões e grupos populacionais. Embora exista maior abertura a alternativas sustentáveis como transporte público, bicicletas e caminhabilidade, a percepção de eficiência desses sistemas ainda limita mudanças mais aceleradas, especialmente em países como o Brasil.
A própria Ipsos observa que jovens e moradores urbanos tendem a ser mais receptivos a novas formas de mobilidade, sugerindo que a transformação pode avançar mais através de mudanças geracionais do que pela adoção imediata de novas tecnologias. Essa dinâmica aponta para um processo evolutivo que demandará tempo e investimentos contínuos em infraestrutura e políticas públicas.



