Metrô do Recife opera em via única após descarrilamento de trem na Linha Centro
Um trem do Metrô do Recife descarrilou na noite da quarta-feira (4), próximo à Estação Joana Bezerra, na Linha Centro, sem registrar feridos. O acidente obrigou passageiros a descerem dos vagões e caminharem pelos trilhos, conforme imagens exibidas pela TV Globo que mostravam o interior do veículo sem iluminação.
Funcionamento limitado e atrasos
Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o sistema metroviário passou a operar em via singela entre as estações Recife e Ipiranga, utilizando o mesmo trilho para ida e volta dos trens. Esta medida provisória resultou em atrasos significativos durante a quinta-feira (5), afetando milhares de usuários.
A Linha Sul também sofreu impactos, funcionando com trem pendular entre Largo da Paz e Recife para completar as viagens. Um trecho entre as estações Recife e Joana Bezerra permanece ocupado por veículos de manutenção para remoção do trem descarrilhado.
Reclamações históricas e investimentos
Ana Paula, passageira há mais de 20 anos, relatou ao Bom Dia Pernambuco os problemas crônicos do sistema: "O sucateamento do metrô nos últimos 10 anos tem sido constante. Já tivemos que descer nos trilhos, voltar para pegar ônibus. Precisa melhorar o tempo de espera e ter mais trens". Ela defendeu investimentos públicos em vez de privatização.
Em dezembro de 2025, governos federal e estadual anunciaram acordo para "estadualizar" a administração do metrô, visando estudos para concessão à iniciativa privada.
Problemas recorrentes no sistema
O Metrô do Recife enfrenta paralisações frequentes há anos. Desde agosto de 2024, não opera aos domingos devido a obras de manutenção. Incidentes recentes incluem:
- 2026: Ramal Camaragibe paralisado por dois dias em fevereiro
- 2025: Interdições por curto-circuito, falhas na energia, greves de três dias, incêndio em trem e protestos contra privatização
- 2024: VLT interditado por chuvas em maio
O sistema transporta diariamente entre 160 mil e 180 mil passageiros nas linhas Centro e Sul, essenciais para a mobilidade urbana da região metropolitana.



