Passageiros enfrentam instabilidade e 'apagão' de sinal de celular e internet no metrô de São Paulo
Passageiros que utilizam o transporte sobre trilhos na capital paulista estão relatando sérias dificuldades para acessar internet e sinal de celular em estações e túneis do metrô. Testes realizados pela reportagem da TV Globo confirmaram que a conexão oscila significativamente em algumas linhas e, em determinados trechos subterrâneos, simplesmente não funciona, criando um verdadeiro "apagão" digital para os usuários.
Problemas persistentes nas linhas 5-Lilás e 4-Amarela
Na Linha 5–Lilás, que historicamente foi sinônimo de desconexão do mundo, a ViaMobilidade anunciou que passou a oferecer sinal de telefonia e internet nas estações desde o início do mês. Contudo, a realidade enfrentada pelos passageiros parece diferente. Rubens Mira, professor de futebol, compartilha sua experiência frustrante: "Pessoalmente, tem certos lugares que funcionam, mas muitos lugares, dependendo de onde você vai, realmente não funciona".
Na Linha 4–Amarela, administrada por uma empresa do mesmo grupo, a situação não é melhor. Flávia Carvalho, securitária, descreve a inconsistência: "Depende. Não são todas as estações, mas durante o percurso geralmente não funciona". Nos túneis, a situação se agrava – os celulares tentam se conectar repetidamente, mas falham em captar qualquer sinal estável.
Impacto no cotidiano e emergências
Os passageiros destacam que, atualmente, conseguir usar o celular nas estações e túneis deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade básica. Eliane Lima expressa a ansiedade gerada pela desconexão: "A gente vive conectado 24 horas por dia, então a gente fica meio agoniado, ainda mais que tem que ver coisas do trabalho, tanta coisa pra fazer, então a gente fica um pouco agoniada".
Além do aspecto prático do dia a dia, a conexão também se mostra crucial em situações de emergência. Nayara Ferreira, comerciante, alerta para os riscos: "Quando dá um problema na estação, no trem, como a gente avisa que está tudo bem ou que vai demorar pra chegar? Principalmente nessas horas".
Investimentos prometidos e realidade atual
Antônio Marcio Barros Silva, diretor das linhas 4 e 5, afirma que ambas estão recebendo investimentos para melhorar a qualidade do sinal. Ele explica que o projeto da Linha 5 foi dividido em duas fases: "A primeira fase são nas estações subterrâneas, 12 estações, e ela está concluída. Foi concluída em janeiro. Então, nós temos sinal 4 e 5G em todas as nossas estações subterrâneas da Linha 5".
Quanto à segunda fase, que envolve a instalação nos túneis, Silva reconhece os desafios: "Leva um pouco mais de tempo, até porque preciso das janelas da madrugada pra fazer essa implementação. Mas hoje já temos no trecho entre Borba Gato e Brooklin e trecho entre Borba Gato e Alto da Boa Vista sinal de 4 e 5G também".
Sobre a Linha 4, o diretor revela: "A linha 4 já tem uma empresa que está fazendo visitas técnicas para elaboração de projeto de implantação e cronograma. Então, nós queremos que esse ano ainda inicie a instalação dessa mesma tecnologia, possibilitando sinal de 4 e 5G em todas as estações da Linha 4 também".
Situação em outras linhas do metrô
Há pouco mais de dois anos, o Metrô prometeu oferecer sinal de telefonia 4G e 5G e internet nas linhas 1, 2 e 3, com prazo até o fim de 2026 para ter conexão funcionando nas estações e nos trens. Enquanto isso, os passageiros enfrentam realidades díspares:
- Na Linha Verde, há sinal na Consolação, mas com funcionamento irregular. Maya Alves Santana relata: "Normalmente, nenhuma está pegando. Atualmente, parou de pegar acho que em toda, se não me engano".
- Na estação Santa Cruz da Linha Azul, muitos passageiros tentam usar o celular dentro do trem e na estação. Ivone Maria, diarista, comenta: "Está funcionando, mas tem estação que não funciona".
- Na Linha Vermelha, a mais movimentada do metrô, a qualidade do sinal no trecho subterrâneo preocupa. João Penha, estudante, resume: "Ah, não pega direito, é zuado. Mas não pega direito em nenhuma estação, né".
Dados oficiais e perspectivas futuras
Em nota oficial, o Metrô informou que 55 das 63 estações administradas pela companhia contam com sinais 4G e 5G, o que representa 87% do total. Para os túneis e estações subterrâneas, a empresa contratou um consórcio responsável por fornecer internet. Segundo a companhia, ainda existem oito estações sem conexão, indicando que, apesar dos avanços, o caminho para uma cobertura completa e estável ainda apresenta desafios significativos.
A discrepância entre as promessas oficiais e a experiência concreta dos passageiros continua a gerar insatisfação entre os usuários do sistema metroviário paulistano, que esperam por soluções definitivas para um problema que afeta seu cotidiano e segurança.
