Reajuste no MetrôRio provoca onda de reclamações entre usuários do transporte
O anúncio do aumento da tarifa do MetrôRio, que passará de R$ 7,90 para R$ 8,20 a partir do dia 12 de abril, gerou uma série de queixas e insatisfação entre os passageiros que utilizam diariamente o serviço. O reajuste de 3,8%, homologado pela Agentransp nesta terça-feira (24), contraria promessas anteriores de redução e acentua a diferença de preço em relação a outras capitais brasileiras.
Passageiros relatam problemas crônicos sem melhorias visíveis
Usuários do MetrôRio destacam uma série de problemas que persistem mesmo com os sucessivos aumentos nas passagens. A superlotação dos vagões, o calor excessivo, os intervalos longos entre trens, a sujeira nas estações e as falhas na infraestrutura são as principais reclamações.
"A gente não vê mudança com esses aumentos, não vê melhoria, não vê nada", afirmou a artesã Tatiane Joana, resumindo o sentimento de muitos passageiros. A empregada doméstica Elaine Garcia, que mora na Baixada Fluminense, complementou: "Tá muito pesado, muito puxado, ainda mais pra quem mora na Baixada. E muito cheio, muito cheio. E o intervalo tá maior do que antigamente. Era dois minutos, três minutos. Agora tá maior".
Rio tem a tarifa mais cara entre as capitais brasileiras
Com o novo valor de R$ 8,20, o MetrôRio consolida sua posição como o metrô mais caro do país. A diferença em relação a outras capitais é significativa: em Belo Horizonte, a segunda cidade com passagem mais cara, o valor é de R$ 5,80 — quase R$ 3 a menos que o novo preço cobrado no Rio de Janeiro.
O segurança Luiz Celso de Moura criticou a falta de contrapartida pelo valor pago: "Você não pode pagar esse valor sem ter nada em troca. Escada rolante nunca está funcionando. E você não tem informação, tem estação que não tem banheiro". A técnica de enfermagem Diva Miranda também se queixou: "você anda apertado, às vezes não dá nem para entrar".
Promessa de redução da tarifa não se concretiza
O reajuste atual vai na contramão da declaração feita pela secretária estadual de Transportes, Priscila Sakalem, logo após assumir o cargo em julho de 2025. Na ocasião, ela afirmou que a redução da tarifa estava entre suas prioridades, mas condicionou a medida a estudos técnicos sobre viabilidade fiscal e operacional.
A empregada doméstica Adaltiva Gomes destacou ainda problemas de limpeza: "Às vezes é sujo. Agora, então, no carnaval, fedia". Essas condições precárias contrastam com a justificativa do aumento, que segundo a concessionária mantém indicadores contratuais e uma nota média de 95% de aprovação dos clientes.
Tarifa social pode ser estendida para toda a população
Em meio às críticas, a Agentransp recomendou à Secretaria de Transportes a prorrogação da tarifa social de R$ 5, que vale apenas até o dia 11 de abril. A agência também solicitou a extensão do benefício a toda a população, não apenas aos usuários que ganham cerca de R$ 3,2 mil mensais.
O presidente da Agetransp, Adolpho Konder, afirmou que gostaria de apresentar ao poder concedente a possibilidade de subsídio para evitar o aumento da tarifa. A ideia seria ampliar o benefício com apoio financeiro do estado, oferecendo alívio para os passageiros que enfrentam diariamente as dificuldades do transporte metroviário carioca.
O Metrô Rio, por sua vez, limitou-se a informar que o reajuste foi homologado pela agência reguladora e que mantém os indicadores estabelecidos em contrato, sem responder especificamente às críticas dos passageiros sobre as condições do serviço.



