O autônomo Talysson Duarte foi condenado pela Justiça do Acre a pagar uma indenização superior a R$ 30 mil à única sobrevivente de um grave acidente ocorrido na Via Verde, em Rio Branco. O fato, que resultou na morte de três pessoas em abril do ano passado, teve decisão proferida pelo 3º Juizado Especial Cível.
Detalhes do acidente e a sentença judicial
Conforme a sentença da juíza Evelin Campos Cerqueira Bueno, ainda passível de recurso, Talysson Duarte deverá desembolsar R$ 5.309,36 por danos materiais e R$ 25 mil a título de danos morais. O valor busca reparar os prejuízos financeiros de Raiane Xavier com a destruição de sua motocicleta e os graves impactos psicológicos e físicos sofridos.
O documento judicial destacou a gravidade do ocorrido: "A gravidade dos fatos e suas consequências [...] não pode ser ignorada. A imprudência e a imperícia do reclamado colocaram em risco a própria vida da autora, que sofreu lesões graves e teve sua integridade física e psicológica diretamente atingida".
O trauma da sobrevivente e as vítimas fatais
Em depoimento ao g1, Raiane Xavier deixou claro que o valor da indenização não representa um ganho, mas uma tentativa de compensar um trauma irreparável. A jovem sofreu um corte profundo na perna esquerda, além de ferimentos nos dedos e nas mãos.
"Nenhum valor paga o que eu vivi e continuo vivendo até hoje. Ainda sigo em tratamento, com consequências físicas e emocionais que permanecem todos os dias. O trauma, a dor, o medo e tudo o que enfrentei desde o acidente não têm preço", lamentou.
As vítimas que não resistiram ao choque foram Macio Pinheiro da Silva, Carpegiane Lopes e Fábio Farias de Lima. Macio faleceu ainda no local do acidente, que aconteceu no km 132 da Via Verde, próximo à 3ª Ponte de Rio Branco.
Investigação aponta imprudência, mas não velocidade exata
A investigação do caso contou com um laudo técnico de mais de 40 páginas, elaborado em parceria entre as polícias do Acre e de São Paulo. Equipes utilizaram drones para mapear a região e recriar a dinâmica do acidente.
Uma simulação em vídeo mostra a caminhonete de Talysson Duarte descendo uma ladeira, entrando em uma curva, girando na pista e saindo desgovernada até atingir as três motocicletas que trafegavam no sentido contrário, sendo que duas delas rebocavam trailers.
O delegado Karlesso Néspoli, responsável pelo caso, explicou que a perícia não conseguiu determinar a velocidade exata do veículo no momento da colisão. No entanto, isso não impediu o indiciamento de Duarte por homicídio culposo.
"Foi constatado aqui pela polícia, tendo todos os dados, que ele perdeu o controle da caminhonete, deveria ter havido um cuidado maior na condução do veículo, estava numa curva, chovia e ainda era um declive. Então, deveria ter tido um cuidado maior", afirmou o delegado.
Liberação polêmica do motorista
Um dos pontos controversos do caso foi a liberação de Talysson Duarte do local do acidente pela Polícia Rodoviária Federal (PRF-AC). Na ocasião, a corporação alegou risco à integridade física do motorista devido à revolta de colegas das vítimas.
A decisão gerou intensa repercussão negativa nas redes sociais. A PRF-AC negou qualquer favorecimento, afirmando que Duarte passou no teste do bafômetro e apresentou toda a documentação necessária. O delegado Karlesso Néspoli reconheceu, posteriormente, que a conduta não foi correta.
"O rapaz deveria ter sido conduzido [...] Porém, essa questão da saída dele não prejudicou a investigação", confirmou. Talysson e sua namorada, Kaline Santana Matos, que estava no veículo no momento do acidente, prestaram depoimento cerca de um mês após o ocorrido.