Turista filmou queda fatal em tirolesa no Ceará; processo aguarda conclusão há sete meses
Turista filmou queda fatal em tirolesa; processo parado há 7 meses

Turista registrou em vídeo momento trágico antes de morte em queda de tirolesa no Ceará

Mais de três anos após a morte do turista paraense Sergio Murilo Lima de Santana, 39 anos, o processo que apura as responsabilidades pelo acidente fatal em uma tirolesa na praia de Canoa Quebrada, no litoral leste do Ceará, permanece paralisado há aproximadamente sete meses, aguardando conclusão da Polícia Civil. O trágico incidente ocorreu no dia 10 de outubro de 2022, durante as férias que Murilo desfrutava com sua esposa na cidade de Aracati.

Momento fatal registrado em vídeo

Enquanto se divertia no equipamento de lazer, o turista gravou com seu próprio celular os instantes que antecederam sua queda mortal. Durante a descida na tirolesa, a viga de sustentação do equipamento colapsou repentinamente, fazendo com que o homem batesse com força violenta contra a duna. A defesa da família da vítima denunciou na época a falta de firmeza estrutural da viga, que teria sido determinante para o desastre.

O proprietário da tirolesa, Antônio Marcos da Silva Dias, foi indiciado por homicídio culposo em novembro de 2022, após a conclusão inicial das investigações policiais. No entanto, o caso tomou novos rumos quando surgiram suspeitas sobre a autenticidade dos documentos técnicos que autorizavam o funcionamento do equipamento.

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Suspeita de falsificação em documento técnico

Em agosto de 2025, o Ministério Público do Ceará enviou um parecer solicitando o retorno do inquérito à Delegacia de Aracati para apurar denúncia grave: um engenheiro civil teria tido sua assinatura falsificada e indevidamente utilizada na Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento essencial que liberava o funcionamento da tirolesa.

Documentos obtidos revelam que, em novembro de 2025, a Delegacia de Aracati tomou conhecimento da intimação do Ministério Público, mas não houve resposta da autoridade policial. Diante do silêncio, o Tribunal de Justiça expediu em 6 de março de 2026 um mandado de intimação em caráter de urgência, solicitando que o delegado de Aracati se manifeste para prestar novos esclarecimentos sobre o caso.

Família clama por justiça após quase quatro anos

Sergio Murilo era casado com Josiane Lopes Gonçalves, que estava presente no dia do acidente, e deixou três filhos. A viúva expressa profunda preocupação com a possibilidade de impunidade: "Estamos esperando por justiça e nada aconteceu. Tivemos uma audiência durante esse tempo e nem o dono da tirolesa compareceu. Quase quatro anos já e até agora não tivemos nenhuma resposta", desabafa Josiane Gonçalves.

O advogado João Pedro Monteiro, que representa a família da vítima, enfatiza a necessidade de celeridade no processo: "No âmbito cível, o réu foi revel, sequer apresentou qualquer resposta. No âmbito criminal, foi levantada a suspeita da possível falsificação da assinatura do engenheiro civil no documento técnico". O profissional jurídico também questiona a qualificação do crime, defendendo a imputação de dolo eventual em vez de homicídio culposo.

Defesa do proprietário da tirolesa alega complexidade do caso

A advogada Marília Arruda de Lima, que representa Antônio Marcos, argumenta que o caso envolve apuração complexa dos fatos, com necessidade de produção de diversas provas técnicas e periciais. "O tempo de tramitação de processos dessa natureza não depende exclusivamente das partes, mas sobretudo da necessidade de conclusão de perícias especializadas", explica a defensora.

Sobre a suspeita de falsificação da assinatura do engenheiro civil, a defesa do proprietário da tirolesa afirmou que seu cliente recebeu a ART pronta do profissional contratado e que "qualquer fraude nesse sentido é de total responsabilidade do engenheiro".

Enquanto isso, a Polícia Civil informou que a Delegacia de Aracati continua trabalhando para a conclusão das investigações, garantindo que "todas as demandas dos órgãos competentes são analisadas e respondidas em prazo razoável". O Tribunal de Justiça confirmou que a ação penal contra Antônio Marcos da Silva Dias tramita na Vara Única Criminal de Aracati, encontrando-se atualmente na fase de instrução, etapa em que são produzidas provas e colhidos depoimentos.

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