Tarcísio empossa 1ª mulher no comando da PM e cobra combate ao feminicídio
Tarcísio empossa 1ª mulher no comando da PM-SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), empossou nesta quarta-feira (29) a primeira mulher no comando da Polícia Militar do estado. A coronel Glauce Anselmo Cavalli assume a função com a missão de combater o que o governador chamou de "chaga do feminicídio" e de garantir que a "sensação de segurança" chegue à população paulista.

Discurso na Academia do Barro Branco

Durante a cerimônia realizada na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, Tarcísio exaltou as qualidades da nova comandante e fez uma cobrança indireta para que a PM discipline policiais violentos, que desrespeitam normas de abordagem e cometem crimes no exercício da profissão. A fala ocorre em meio a episódios recentes de violência policial, como a morte da PM Gisele Alves Santana e o assassinato de Thawanna da Silva Salmázio durante abordagem.

Pesquisa aponta violência como principal preocupação

Uma pesquisa Quaest divulgada na mesma quarta-feira (29) revelou que a violência é a principal preocupação dos eleitores paulistas, com 36% das menções, seguida por Saúde (19%), Economia e Educação (ambas com 6%).

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"Quase dois séculos depois, a PM tem uma mulher no comando, honrando a trajetória de treze mulheres que ingressaram na Força Pública em 1955. Naquela época elas não iam combater o crime e tinham uma função social. Mas esse tempo mudou. Hoje, a Polícia Militar conta com 11.700 mulheres oficiais e praças. E hoje a responsável pelo combate ao crime é uma mulher. E esse combate ao crime exige uma resposta firme do estado", afirmou o governador.

"E essa resposta sempre virá. Se houver mais ousadia do crime, haverá mais trabalho, mais investimentos em tecnologia e equipamentos para que a gente não desampare a população. Para que a gente possa transmitir ao cidadão a sensação de segurança sempre observando os nossos procedimentos e sempre observando a norma. É isso que garante a segurança", declarou Tarcísio.

Substituição no comando e investigações

A posse da coronel Glauce ocorre após a substituição do coronel José Augusto Coutinho, que estava no comando desde abril do ano passado. Coutinho é investigado pelo Ministério Público por suposta omissão envolvendo PMs ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Apesar disso, Tarcísio destacou o trabalho de Coutinho, atribuindo a ele a queda dos índices de criminalidade no estado.

"Ano passado a gente teve 163 cidades do estado sem um roubo sequer. E isso é extremamente significativo e faz parte de um trabalho profissional e de formação continuada", disse o governador.

"Comandantes novos trazem ideias novas. Transmitem ideias, perpetuam tradições. E no dia de hoje é dia de agradecer o coronel Coutinho por todo trabalho profissional e árduo, que coroou uma trajetória de excelência na Polícia Militar do Estado de SP. O seu trabalho permitiu que tivéssemos os menores indicadores criminais da história do estado de São Paulo. E isso é extremamente significativo, porque não vai existir progresso sem ordem. Muito obrigado por tudo, coronel. Minha gratidão e continência", destacou Tarcísio.

Casos de violência policial marcam início do ano

A fala do governador é vista como um recado ao novo comando geral da corporação, que foi substituído após casos de violência policial dentro da PM neste início de ano. Dois deles são a morte da PM Gisele Alves Santana, supostamente pelo tenente-coronel Geraldo Neto, e o assassinato de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante abordagem no bairro Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos.

Apesar desses episódios, o governador manteve o tom de reconhecimento ao trabalho do coronel Coutinho, que comandou a PM durante um período de queda nos indicadores criminais.

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