Justiça decreta prisão preventiva de mãe após tragédia em Serrinha
A Justiça determinou, nesta segunda-feira (4), a prisão preventiva de Cristina Nascimento de Jesus, de 27 anos, mãe das três crianças que morreram carbonizadas em um incêndio ocorrido em uma residência na cidade de Serrinha, localizada a aproximadamente 70 km de Feira de Santana, na Bahia. A decisão foi tomada durante uma audiência de custódia que se estendeu das 13h às 16h. Com isso, a mulher permanece custodiada na delegacia de Serrinha, aguardando transferência para o presídio feminino de Feira de Santana, processo que, segundo a polícia, costuma ocorrer em até sete dias.
Detalhes do crime e da prisão
A prisão em flagrante ocorreu no domingo (3), após a mulher ter passado a noite de sábado (2) em uma festa, deixando os filhos sozinhos em casa. Ela poderá responder pelo crime de abandono de incapaz com resultado de morte, cuja pena prevista é de quatro a doze anos de reclusão. De acordo com a Polícia Civil, o incêndio começou quando uma das crianças ateou fogo em um colchão enquanto brincava com um isqueiro dentro da residência.
Identificação das vítimas
As crianças que perderam a vida foram identificadas como Jeremias de Jesus Borges, de 6 anos; Samuel Nascimento de Almeida, de 4 anos; e Ismael Nascimento de Jesus Borges, de apenas 11 meses. Uma quarta criança, uma menina de 7 anos, tentou salvar os irmãos, mas não conseguiu. Ela conseguiu sair do imóvel gritando por socorro e foi encaminhada a uma unidade de saúde com ferimentos leves. O incêndio destruiu parte da casa antes da chegada das equipes de socorro. Até o fim da tarde, os corpos dos meninos permaneciam no Instituto Médico Legal (IML) da cidade. Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.
Relembre o caso
Segundo a Polícia Militar, a mulher relatou que havia saído de casa na noite de sábado para “distrair a cabeça” em uma festa e retornou apenas na manhã de domingo, após o incêndio. Ela foi presa ao chegar ao local da tragédia. O Conselho Tutelar informou que as crianças já haviam sido acolhidas institucionalmente em dezembro de 2025, após o Ministério Público apontar possível violação de direitos relacionada a condições precárias de higiene e saúde. Os menores permaneceram acolhidos por cerca de 30 dias, mas foram devolvidos à família após avaliação técnica indicar que não havia negligência intencional, apenas necessidade de orientação. Após o retorno, a família passou a ser acompanhada por serviços de assistência social.
Depoimento do pai
O pai das crianças, Joselito, que não reside na Bahia, contou que pretendia buscar os filhos no mês de junho. “No mês de junho eu ia pegar umas férias e buscar os meninos”, afirmou. Segundo ele, a ex-companheira costumava beber e sair para festas. Houve uma tentativa de que a irmã dele buscasse as crianças, mas a mãe não permitiu. O pai soube da morte dos três filhos por meio de uma ligação telefônica momentos após o incêndio. “Disseram: ‘venha buscar seus meninos, seus meninos acabaram de morrer’. Meu celular caiu no chão, entrei em desespero, comecei a me tremer”, relembrou.
Comoção e luto oficial
A tragédia gerou forte comoção na cidade de Serrinha. A Prefeitura decretou luto oficial de três dias e manifestou solidariedade aos familiares das vítimas. A comunidade local segue abalada com o ocorrido.



