PM atropelada em abordagem perde ligamentos da perna e dentes; veja detalhes
PM atropelada perde ligamentos da perna e dentes em Formosa

A policial militar Alline Rodrigues Bastos, de 38 anos, enfrenta um longo e doloroso processo de recuperação após ser atropelada durante uma abordagem de trânsito em Formosa, cidade do Entorno do Distrito Federal. O grave acidente ocorreu na madrugada do dia 25 de dezembro de 2025, quando a profissional tentava conter uma motocicleta que trafegava em alta velocidade.

Três cirurgias e lesões graves

Em entrevista concedida ao g1, Alline revelou a extensão dos ferimentos. Ela perdeu todos os ligamentos da perna direita e sofreu duas fraturas no joelho esquerdo. Em um intervalo de dez dias, a policial já foi submetida a três procedimentos cirúrgicos nas pernas. A primeira operação aconteceu ainda no dia do atropelamento, e as outras duas foram realizadas nos dias seguintes, com a mais recente no sábado, 3 de janeiro.

"Da perna esquerda, duas fraturas no joelho. E na perna direita, eu perdi todos os ligamentos. Mais para frente, eu tenho que fazer uma outra cirurgia para tentar refazer os ligamentos", contou a militar, demonstrando resiliência diante do desafio.

Trauma facial e perda de dentes

As consequências do atropelamento, no entanto, não se limitaram às pernas. Um laudo médico obtido pela reportagem detalha fraturas graves no rosto que exigirão tratamento odontológico complexo e prolongado. No impacto, Alline perdeu dois dentes da frente, incluindo as raízes, e teve outros dois quebrados.

Ela também foi diagnosticada com distopia oclusal, uma condição que desalinha a arcada dentária. Durante a entrevista por telefone, era perceptível a dificuldade na fala da policial, um efeito direto do trauma facial sofrido. "Por isso, ainda vou precisar passar por outra cirurgia", relatou, referindo-se à reconstrução necessária.

Longa recuperação e apoio comunitário

Ainda não há uma previsão para a alta hospitalar de Alline. Após a conclusão das cirurgias, ela deverá iniciar um intensivo tratamento de fisioterapia para recuperar os movimentos. A policial destacou que, apesar da dor e do longo caminho pela frente, sente-se grata por estar viva e pelo apoio maciço que tem recebido.

"Deus só dá a carga que conseguimos carregar. Estou feliz por estar viva e sou grata por essa nova oportunidade de viver", afirmou. Ela agradeceu o suporte dos colegas da Polícia Militar, de amigos, familiares e até de desconhecidos que têm oferecido ajuda financeira, orações e palavras de conforto.

Um dos obstáculos no processo é a cobertura do plano de saúde, que não cobre todos os custos das intervenções cirúrgicas e do tratamento odontológico especializado. Por isso, parte das despesas precisa ser arcada com recursos próprios, motivando uma campanha de arrecadação organizada por pessoas próximas.

O caso, que também envolve a quebra do vidro da viatura policial e indícios de embriaguez do condutor da motocicleta, segue sob investigação. A história de Alline é um alerta sobre os riscos enfrentados diariamente pelos profissionais de segurança no exercício de sua função.