Pais de menino de 5 anos morto em Januária são presos por suspeita de homicídio
Pais de menino de 5 anos morto em Januária são presos

Pais de menino de 5 anos são presos após morte suspeita em Januária

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu preventivamente, na noite desta terça-feira (28), os pais de Artur Viana Rodrigues, de cinco anos, que morreu após ser levado ao hospital municipal de Januária com múltiplos ferimentos pelo corpo. O casal foi localizado na casa de familiares, na zona rural da cidade. A residência onde a família morava foi depredada por moradores revoltados com a morte do garoto.

De acordo com o delegado Willian Araújo, responsável pelo caso, a mãe do menino, de 27 anos, levou a criança ao hospital por volta das 23h do último domingo (26). Inicialmente, ela alegou que Artur havia passado mal após ingerir carne estragada. Questionada sobre as lesões, afirmou que o filho havia caído de bicicleta no momento em que o levava para a unidade de saúde. No entanto, as contradições e a gravidade dos ferimentos levantaram suspeitas imediatas entre a equipe médica, que acionou a Polícia Militar.

Investigação aponta agressões

O delegado Willian Araújo afirmou que a Polícia Civil instaurou inquérito por se tratar de morte suspeita. “Temos convicção de que a criança não faleceu por causas naturais, intoxicação ou queda da própria altura, ela foi agredida”, declarou. Segundo ele, o médico legista identificou lesões incompatíveis com as justificativas apresentadas pela mãe. “O que mais chamou a atenção é a alegação dela de que ele passou mal em razão da ingestão de uma carne supostamente estragada, mas o intervalo entre o momento em que a criança começou a passar mal e o momento em que ela o levou ao hospital é demasiadamente grande, são mais de 10 horas.”

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O delegado destacou que o garoto apresentava um grande hematoma no rosto, escoriações na região abdominal e sinais de violência anterior. “De acordo com informações esparsas, essa criança vivia em um ambiente extremamente pernicioso, em um verdadeiro ciclo de violência, era agredida física e psicologicamente diariamente pelas pessoas que deveriam protegê-la. Temos uma certa convicção de que a morte dessa criança foi o desfecho de uma série de eventos trágicos.”

Revolta popular e antecedentes criminais

A população local, indignada com o caso, depredou a casa onde a família morava. Os pais do menino já haviam deixado o local antes da ação dos moradores. O delegado informou que a mãe do menino possui registros policiais por furto, ameaça e violência contra criança e adolescente. O pai, que estava na residência no momento em que a mãe decidiu levar Artur ao hospital, também foi preso.

Testemunhas, incluindo vizinhos e conhecidos da escola, relataram que era comum ouvir o menino chorando e que ele era vítima de agressões constantes, além de ser proibido de brincar com outras crianças. “Essas informações nos levam a acreditar que o ciclo de violência imposto a essa criança era muito anterior ao fatídico dia de anteontem, quando ele efetivamente foi morto”, completou o delegado.

Causa da morte e próximos passos

A necropsia preliminar apontou como causa da morte “choque séptico secundário ao abdome agudo”. O laudo definitivo deve ser concluído nos próximos dias. A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e aguarda o resultado para esclarecer as circunstâncias do crime. A defesa dos pais não foi localizada até o momento.

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