Ônibus clandestino tomba na BR-251 em MG: 5 mortos, incluindo bebê, e dezenas de feridos
Ônibus clandestino tomba em MG: 5 mortos e dezenas feridos

Um grave acidente envolvendo um ônibus clandestino resultou em cinco mortos e dezenas de feridos na BR-251, no Norte de Minas Gerais, na noite de quarta-feira (21). O veículo, que seguia de Arapiraca, em Alagoas, para Itapema, em Santa Catarina, tombou após apresentar falhas no sistema de frenagem em um trecho de declive e curva, conforme informações preliminares da Polícia Rodoviária Federal.

Sobreviventes relatam momentos de terror na estrada

Entre os passageiros estava a agricultora Rafaela Ferreira dos Santos, grávida de quatro meses, que viajava com seu filho de seis anos, Mateus Levi dos Santos. Em entrevista à Inter TV, Rafaela descreveu a experiência como "horrível demais", destacando o pânico generalizado quando o ônibus começou a tombar. "Na hora só pensava no meu filho, todo mundo começou a gritar. Todo mundo assustado. Só tenho que agradecer a Deus por estar aqui hoje", afirmou ela, que sofreu apenas escoriações leves, assim como o filho.

O menino Mateus complementou o relato, dizendo: "Quando vi o ônibus tombando, eu gritei e segurei na minha mãe". Outro sobrevivente, o motorista Jerri Adriano, que também embarcou em Alagoas, detalhou a sequência de eventos: "Na hora do acidente eu e um colega estávamos acordados, percebemos que o ônibus deu uma virada e depois voltou pro outro lado, nós seguramos na cadeira bem forte. Depois, foi pra frente e foi pro lado esquerdo, foi pro lado direito e tombou [...]. Foi de repente assim, o ônibus virando, todo mundo gritando. Nasci de novo, nunca tinha passado por isso na vida".

Detalhes do acidente e balanço das vítimas

O tombamento ocorreu na Serra de Francisco Sá, na altura do km 474,8 da BR-251. Segundo o Corpo de Bombeiros, cinco passageiros, incluindo um bebê, faleceram no local. Nove pessoas foram socorridas com múltiplas fraturas e escoriações diversas, enquanto outras 34 não sofreram lesões ou apresentaram ferimentos de menor gravidade. A Polícia Rodoviária Federal confirmou que o motorista que conduzia o veículo no momento do acidente não foi localizado, e há informações de que três condutores se revezavam na direção.

Ônibus era irregular e tinha histórico de autuações

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) emitiu nota informando que o ônibus não possuía autorização para transporte rodoviário interestadual de passageiros, caracterizando a operação como clandestina. O veículo, vinculado à empresa Dinho Turismo, foi autuado aproximadamente 30 vezes entre 2025 e 2026, com 25 autuações por evasão de postos de pesagem e cinco relacionadas a irregularidades no transporte, como falta de equipamentos obrigatórios e operação sem autorização. Em outubro de 2025, o ônibus chegou a ser apreendido devido a essas irregularidades.

O g1 Alagoas entrou em contato com a Dinho Turismo, que afirmou estar em contato com advogados e se pronunciaria posteriormente sobre o caso, conforme relato de uma pessoa não identificada da empresa.

Implicações e investigações em andamento

O acidente levanta questões sobre a fiscalização do transporte rodoviário no Brasil, especialmente em rotas interestaduais. As autoridades continuam investigando as causas exatas do tombamento, com foco na falha nos freios e na irregularidade do veículo. A comunidade local e as famílias das vítimas aguardam respostas, enquanto os sobreviventes, como Rafaela e seu filho, tentam se recuperar do trauma vivido.