Menino de 6 anos morre após atropelamento em Ribeirão Preto; pai fala em revolta
Menino de 6 anos morre após atropelamento em Ribeirão Preto

A morte de um menino de seis anos, vítima de um atropelamento no distrito de Bonfim Paulista, em Ribeirão Preto (SP), gerou uma onda de tristeza e indignação na comunidade local. O pai da criança, Albertino da Silva Filho, vive um misto de dor profunda e revolta após confirmar o óbito do filho, Guilherme da Silva Maia, neste domingo (4).

Dor de um pai e a busca por justiça

Albertino da Silva Filho não esconde o sentimento de injustiça. "É muita revolta. Você olha para mim, e não tenho mais lágrimas para chorar. Quem está me segurando aqui, eu creio, é o Espírito Santo de Deus", desabafou o pai durante um protesto organizado por moradores. O ato público, que durou cerca de uma hora, aconteceu próximo ao local do acidente e teve como principal bandeira a punição do motorista responsável.

O suspeito, um homem de 25 anos, compareceu à Polícia Civil na sexta-feira (2), acompanhado de dois advogados. Em seu depoimento, ele negou ter consumido bebida alcoólica antes de dirigir, atribuindo a tragédia a uma distração com a central multimídia do veículo. No entanto, Albertino contesta essa versão. "Eu afirmo: esse cara estava embriagado", disse, questionando a alegação do motorista de que havia saído de duas festas e seguia para uma terceira no momento do ocorrido.

Detalhes do atropelamento e consequências

O acidente aconteceu na quinta-feira, 1º de janeiro, na Rua Professor Felisberto Almada, em um trecho de acesso à Rodovia José Fregonezi. Câmeras de segurança registraram o momento em que o carro saiu da pista e atingiu pelas costas a mãe, Eliene de Santana Maia, de 33 anos, e o filho Guilherme, que caminhavam pelo acostamento. Testemunhas relataram à polícia que tentaram alertar o condutor, mas ele fugiu do local em direção a Ribeirão Preto.

As vítimas foram socorridas e levadas para a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE). Enquanto a mãe sofreu múltiplas fraturas nas pernas, bacia, braço e rosto, o menino foi internado em estado gravíssimo no Centro de Terapia Intensiva Pediátrica. Após três dias de luta, Guilherme não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada no domingo (4). O velório e o sepultamento ocorreram na manhã desta segunda-feira (5), em Bonfim Paulista. Eliene segue internada.

Reivindicações da comunidade por segurança

O protesto realizado pelos moradores foi um grito por mudanças. Além de pedirem justiça para o caso específico, os participantes cobraram das autoridades públicas medidas para melhorar a segurança viária na região. A diarista Carla Renata Sanchez, uma das manifestantes, destacou a imprudência constante no tráfego local. "A gente mora há anos aqui e nem todo mundo tem condições de um transporte, tem que descer aqui a pé e os carros não respeitam", afirmou.

A jardineira Bruna Cassiano, que também participou do ato, reforçou os riscos que a falta de infraestrutura representa, especialmente para as crianças. Ela, que faz o trajeto a pé diariamente para levar o próprio filho à escola, defende a instalação de um pontilhão (passarela) na área. "Aqui tinha que ter no mínimo um pontilhão para as crianças poderem atravessar", reivindicou.

O delegado do 7º Distrito Policial, Ariovaldo Torrieri, informou que o motorista suspeito alegou, em seu depoimento, que no momento da colisão pensou ter atingido um guard-rail, razão pela qual não prestou socorro. Ele foi liberado após prestar esclarecimentos, e o caso segue sob investigação.