Incidente aéreo em Congonhas mobiliza investigação da FAB
A Força Aérea Brasileira (FAB) abriu uma investigação para apurar as circunstâncias de um incidente ocorrido na manhã desta quinta-feira (30) no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo. Duas aeronaves, uma da Gol e outra da Azul, ficaram separadas por poucos metros de distância vertical, configurando uma situação de risco. O caso foi inicialmente divulgado pelo portal especializado AeroIn, que utilizou dados do Flightradar24, e rapidamente repercutiu em canais estrangeiros de aviação.
O que aconteceu
O incidente envolveu um Boeing 737-800 da Gol, que operava o voo G3 1629 com origem em Salvador e se preparava para pousar, e um Embraer E195-E2 da Azul, que iniciava a decolagem do voo AD6408 com destino a Confins (MG). Imagens capturadas pelo canal "Golf Oscar Romeo", no YouTube, mostram a comunicação entre a torre de controle e os pilotos. De acordo com os registros, houve um descompasso no tempo de resposta: a aeronave da Azul demorou a iniciar a corrida de decolagem. Ao perceber o risco de conflito entre as trajetórias, o controlador determinou a interrupção da decolagem e orientou o avião da Gol a executar a manobra de arremetida, na qual o piloto aborta o pouso e retorna a uma altitude segura para nova tentativa. Em seguida, o controlador voltou a instruir a Azul a abortar a decolagem, mas a tripulação não respondeu e manteve o procedimento, por razões ainda não esclarecidas.
Distância mínima e reações
Canais estrangeiros estimaram que as aeronaves chegaram a ficar separadas por cerca de 75 pés (aproximadamente 22 metros). O youtuber norte-americano Aaron Rheins classificou a situação como "perigosamente próxima". Especialistas em segurança de voo ouvidos pelo g1 definem o episódio como uma perda de separação, ou seja, quando duas aeronaves ficam mais próximas do que o mínimo permitido pelas regras do controle de tráfego aéreo. Trata-se de um incidente grave, embora não represente necessariamente risco imediato de colisão.
Análise de especialistas
O especialista Roberto Peterka apontou que houve atraso na decolagem da aeronave da Azul enquanto o avião da Gol já se aproximava para pouso. "Quando iniciou a decolagem, não atendeu à orientação para interromper a corrida. Diante disso, o Gol foi instruído a arremeter. As aeronaves acabaram ficando abaixo do limite mínimo de separação", afirmou. Apesar do incidente, especialistas destacam que a torre de controle atuou corretamente, aplicando as camadas de segurança previstas para evitar um acidente.
Investigação em andamento
Segundo a FAB, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi acionado para realizar a ação inicial da ocorrência, que inclui coleta e validação de dados, preservação de evidências e levantamento de informações necessárias para a investigação. A Azul informou que o voo AD6408 seguiu os procedimentos operacionais previstos e reforçou que "a segurança é seu valor primordial", acrescentando que colabora com o Cenipa. A Gol declarou que o pouso do voo G3 1629 ocorreu em segurança e dentro do horário previsto, e que também colabora com as investigações. Já a Aena, concessionária que administra o aeroporto, afirmou que informações sobre o caso devem ser obtidas junto ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), órgão responsável pelo gerenciamento do tráfego aéreo no país.



