O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) anunciou um plano ambicioso para dar vazão ao enorme estoque de veículos apreendidos no estado. Com um total de 180 mil unidades aptas para leilão, a previsão é de que processos para vender 100 mil desses lotes sejam iniciados já em 2026, começando no primeiro bimestre do ano.
Agilidade nos leilões e prazos definidos
Os primeiros 15 leilões, cada um com mil lotes, estão programados para o final de janeiro ou início de fevereiro. Paralelamente, outros 15 certames já tiveram as negociações iniciadas, e mais 40 devem começar seus processos no começo do ano. A meta para 2026 é iniciar a venda de 100 mil lotes, o que equivale a 100 leilões, conforme explicou Davi Artigas, coordenador geral de recolhimento e leilão de veículos do Detran.
Artigas destacou que a agilidade no processo de leilão é estratégica. "Quanto mais rapidamente o veículo for leiloado, menos depreciação e desgaste ele terá, o que pode resultar em um valor maior pago pelo comprador", afirmou. O benefício é duplo: o antigo proprietário pode receber um saldo remanescente após o pagamento de débitos, e o novo adquirente leva um bem em melhores condições.
Concessão de pátios e aumento nas tarifas
O cronograma de leilões coincide com o projeto de concessão do serviço de recolhimento e custódia de veículos, embora os processos não estejam formalmente vinculados. A concorrência internacional para a concessão deve ocorrer até março de 2026, após um processo que começou em 2024 e incluiu oito audiências públicas.
O edital da concessão, publicado pelo governo Tarcísio de Freitas, prevê reajustes significativos no valor da diária de custódia. Para carros de passeio, a tarifa subirá de R$ 40,72 para R$ 70, um aumento de 72%. O reajuste mais expressivo será para veículos pesados, saltando para R$ 170, o que representa uma alta de 317% em relação ao valor atual único. Motos terão tarifa de R$ 60.
"As concessionárias, dentro da concessão, têm que entregar o veículo preparado para leilão no dia 61 [da apreensão]. A nossa expectativa é que até o dia 80 eu consiga leiloar", detalhou Artigas. Essa rotatividade é considerada crucial para evitar que as empresas formem um passivo financeiro com estoques parados.
O caminho do veículo apreendido até o leilão
A principal causa de apreensão no estado é a falta de licenciamento, responsável por 45% dos casos, seguida pelo mau estado de conservação (25%). Apenas 3% das retenções são decorrentes de testes do bafômetro. Em média, veículos apreendidos por falta de licenciamento são retirados pelos donos em quatro dias, evitando o leilão.
Inicialmente, os carros ficam armazenados em pátios por cerca de 30 dias. Se não forem retirados, podem ser deslocados para bolsões – depósitos de custo operacional mais baixo, geralmente em áreas afastadas. Atualmente, o Detran opera com 206 pátios no estado, sendo 30 municipalizados, 163 de remoção direta e 13 em convênio com o DER. O órgão não possui nenhum pátio próprio.
Um dos maiores bolsões pertence à empresa Hasta SP e está localizado em Casa Branca, no km 223 da rodovia SP-340, abrigando milhares de veículos. A reportagem tentou contato com a empresa, mas não obteve resposta.
Os proprietários são notificados e podem retirar o veículo até um dia antes do leilão, pagando as devidas multas e custas. Após 30 dias, o número de retiradas cai consideravelmente. Quando o carro está em um bolsão, a empresa agenda a devolução em um pátio.
O projeto de concessão estabelece critérios de logística, determinando que em 92% das operações os veículos não podem ser levados a mais de 30 km ou uma hora de distância do local da apreensão. Para os 8% restantes, o limite é de 50 km, devido a questões geográficas.
"O veículo só é retido se há uma infração. Então, não é toda a sociedade que vai usufruir desse serviço, mas quem precisar [...] vai ter uma maior segurança de que o seu patrimônio [...] estará bem cuidado", finalizou Artigas, reforçando os princípios de eficiência e moralidade da administração pública.