Moradores do distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes, estão assustados com a crescente onda de ataques de cães soltos pelas ruas. O caso mais recente ocorreu na madrugada de 20 de abril, quando a moradora Giseli de Oliveira foi cercada por um grupo de cachorros enquanto saía para o trabalho. Imagens de câmeras de segurança flagraram o momento em que ela tenta se desvencilhar dos animais, tropeça e cai sobre o braço esquerdo, sofrendo uma fratura óssea.
Giseli, que agora precisa usar uma tala até a cirurgia, relatou as dificuldades enfrentadas no dia a dia: "Para conter e manter imóvel, eu preciso ficar com a tala até o dia da cirurgia. [Está me] atrapalhando em tudo, atrapalha nas coisas básicas: colocar uma roupa, ter que pegar alguma coisa, celular, tudo". Além das sequelas físicas, a vítima afirma que o episódio causou traumas psicológicos, gerando medo de sair de casa. "Dá insegurança, porque você não sabe quem é responsável, quem vai se responsabilizar pela minha situação. Hoje mesmo eu me sinto assim, eu fico com medo de passar ali. Hoje eu tive que ir na delegacia, hoje eu tive que fazer todo o processo de documentação. Hoje mesmo eu já tive medo de sair, porque eles estavam na esquina", desabafou.
Histórico de ataques na região
O problema não é recente. No início do ano, o filho de Giseli também foi atacado por cães na mesma área e ficou com uma cicatriz. "Meu filho estava indo na padaria de bicicleta e o cachorro avançou nele. Aí ele, para tentar se desvencilhar do cachorro, ele jogou a bicicleta porque ali na frente tem um córrego. Então ele jogou diante do córrego. Quando ele caiu, o cachorro mordeu a coxa dele", relembrou.
Outros moradores também reclamam da presença constante de cães soltos. A assistente de vendas Telma Regina Barros dos Santos diz que deixou de realizar atividades simples por medo. "Agora, nesses últimos tempos, a gente não consegue mais ter tranquilidade para andar aqui, fazer uma caminhada de manhã, à tarde... Aqui dentro tem uma academia. Como é que você sai de casa para ir na academia? Aqui dentro não precisa de carro. Como? Se você vai ser atacado pelo cachorro", reclamou. Telma tem um filho de 9 anos e afirma que teme pela segurança dele no trajeto até a escola, por isso passou a acompanhá-lo diariamente.
A preocupação também atinge idosos da região. A aposentada Tarcísia Cândida dos Santos relata que não se sente segura ao sair de casa: "A gente que já é de idade se o cachorro te pega aqui você já cai, pronto quebrou tudo e danou-se, né? Então, a gente tem medo. Eu não venho mais na padaria a pé, não venho mais por causa disso porque ali é o ponto deles".
Responsabilidade e ações da Prefeitura
Segundo moradores, a área tem controle de acesso e segurança privada, mas não é um condomínio fechado, e sim um bairro residencial. O representante da administração de moradores, Antônio José Gomes dos Santos, afirma que a responsabilidade pela situação é da Prefeitura. "Mogi das Cruzes tem a lei complementar 113 de 2014 que ela designa a municipalidade através do Nubea, Núcleo de Bem-estar Animal, fazer esse cuidado dos animais de rua. Então nós precisamos que a Prefeitura tenha uma atenção com esses animais errantes que são animais que entram e saem do residencial proveniente das ruas em busca de alimento", ressaltou.
A Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que o Núcleo de Bem-Estar Animal esteve no local e fez o recolhimento de quatro animais em uma única ação. Disse ainda que realizou várias visitas técnicas para orientar a população e que todos os animais encontrados na época foram castrados, como medida de controle populacional. A administração destacou que parte dos moradores alimenta os animais nas vias públicas, o que contribui para a permanência deles no local e dificulta ações de manejo, além de favorecer a formação de agrupamentos.
Por fim, a prefeitura indicou a Ouvidoria Municipal, que atende pelo telefone 156, e o aplicativo Colab para registro e acompanhamento de ocorrências.



