O Partido dos Trabalhadores (PT) intensificou sua campanha política no estado de São Paulo, elegendo o governador Tarcísio de Freitas como principal alvo. A ofensiva tem como ponta de lança o ex-ministro José Dirceu, cujos ataques públicos se tornaram uma das movimentações mais visíveis do partido no pré-campo eleitoral paulista.
Ataques nas redes sociais e a estratégia de desgaste
Um levantamento citado no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, revela que mais de um terço das publicações recentes de José Dirceu nas redes sociais é dedicado a criticar a gestão estadual. Em um vídeo recente, Dirceu acusou páginas de fofoca de veicularem conteúdos elogiosos ao governo de Tarcísio, classificando a prática como uma campanha antecipada e fraudulenta. O ex-ministro também insinuou, sem apresentar provas, o uso de recursos públicos para patrocinar essas páginas.
Para o cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, a investida reflete menos o peso individual de Dirceu e mais uma estratégia ampla do PT. O objetivo central é tentar reduzir a vantagem do governador, que é considerado favorito à reeleição e visto como o adversário mais forte do partido no estado.
O papel de Dirceu e os desafios para o PT
No entorno petista, a expectativa é que José Dirceu seja candidato a deputado federal e atue como puxador de votos. No entanto, seu histórico político, marcado pelo envolvimento no escândalo do mensalão, gera divergências internas. Há debate sobre o quanto sua atuação pode ajudar ou atrapalhar a estratégia eleitoral do partido, tanto em São Paulo quanto no plano nacional.
A grande questão para o PT em São Paulo é a falta de um nome competitivo para enfrentar Tarcísio diretamente. Nos bastidores, são citadas possibilidades como Fernando Haddad (que nega interesse), Geraldo Alckmin e Alexandre Padilha. O objetivo final, no entanto, vai além da disputa estadual.
São Paulo como peça-chave para a presidência
O estado de São Paulo é considerado absolutamente estratégico para a campanha presidencial de 2026. A meta do PT é construir um palanque robusto no estado que seja capaz de impulsionar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cristiano Noronha avalia que Lula depende menos de figuras individuais e mais da capacidade de montar essas bases sólidas em estados-chave, com São Paulo e Minas Gerais no topo da lista.
Noronha também mencionou outras apostas possíveis para reforçar o palanque paulista, como a pressão do PT para que Marina Silva retorne à legenda e até dispute uma vaga no Senado por São Paulo. A presença de um nome nacional de peso poderia ampliar o alcance da campanha presidencial no estado.
Impacto real e perspectivas para 2026
Quanto ao impacto da atuação de José Dirceu na reeleição de Lula, a avaliação de Noronha é de que o efeito tende a ser neutro. “A força do Lula na campanha é a força dele”, afirmou o analista. A estratégia de focar em Tarcísio é clara: “Tudo que o PT está fazendo no estado tem como alvo o Tarcísio”.
No entanto, o cientista político avalia que a tarefa de desgastar o governador e equilibrar o jogo eleitoral não será simples. Ainda assim, o PT pretende mobilizar todas as suas forças para o confronto, entendendo essa rivalização como uma condição necessária para tentar mudar a correlação de forças em São Paulo, um cenário crucial para os rumos da disputa presidencial de 2026.