O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, está considerando deixar o cargo para retornar à vida política. Em entrevista à revista VEJA, ele revelou que pode se candidatar ao Senado nas eleições de outubro ou compor uma chapa como vice-governador no Rio Grande do Sul ou no Distrito Federal.
Movimentação política abre vaga cobiçada no TCU
Se a decisão de Nardes se concretizar, uma nova e valiosa vaga será aberta no colegiado responsável por auditar as contas públicas federais. O ministro afirmou que recebeu sondagens para retornar à política após mais de duas décadas e pretende informar sua decisão ao TCU entre os meses de fevereiro e março.
A possível saída antecipada de Nardes já acendeu a disputa entre partidos. Políticos do PL, legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, e até figuras que recentemente integravam o governo Lula prometem uma verdadeira batalha pela indicação ao cargo.
Quem são os possíveis sucessores de Nardes?
A lista de nomes que circulam nos bastidores de Brasília para ocupar a eventual vaga de Augusto Nardes inclui figuras de peso. Entre os virtualmente candidatos estão:
- Silvio Costa Filho (Republicanos-PE): Ministro demissionário dos Portos e Aeroportos, que deixará o governo para disputar uma cadeira no Senado.
- Roberta Roma (PL-BA): Deputada federal e esposa de João Roma, ex-ministro de Bolsonaro e atual presidente do PL na Bahia.
- Pedro Paulo (PSD-RJ): Deputado federal e relator da Reforma Administrativa na Câmara dos Deputados.
Segunda vaga no tribunal agrava a disputa partidária
A turbulência no TCU não se resume à possível saída de Nardes. Uma outra vaga será aberta no final de fevereiro com a aposentadoria compulsória do ministro Aroldo Cedraz.
Desde 2024, essa cadeira está prometida ao ex-líder do PT na Câmara, Odair Cunha (MG), como parte de um acordo político que garantiu o apoio dos petistas à candidatura de Hugo Motta (Republicanos-PB) à Presidência da Casa.
No entanto, o acordo não impediu que outros deputados se apresentassem como postulantes. Elmar Nascimento (BA) e Danilo Forte (CE), ambos do União Brasil, e Hugo Leal (RJ), do PSD, também entraram na disputa. Hugo Leal foi relator do antigo orçamento secreto, enquanto Danilo Forte é conhecido por apadrinhar o calendário de pagamento de emendas parlamentares.
Elmar Nascimento, que é investigado em uma operação que apura supostos desvios de recursos de emendas, aposta na resistência de bolsonaristas em apoiar um candidato do PT para chegar ao cargo.
Os planos e a bandeira de Nardes
Em sua declaração, Augusto Nardes deixou claro qual seria sua motivação para um retorno à política. "Minha bandeira é a da governança", afirmou. "Fui buscar as melhores práticas do mundo e implantei no TCU indicadores de governança de pessoas e de contas. Eu poderia voltar à política para aprovar essa lei porque não vejo futuro, seja para a esquerda ou para a direita, sem governança".
Ele completou: "Considero fundamental defender a governança para o país ter projeto de Estado, de nação, e não projetos individuais de um governo, que são muito mais de cunho eleitoral do que de cunho estruturante".
Entretanto, dentro do próprio TCU, há quem duvide se Nardes realmente abrirá mão de quase dois anos à frente do tribunal – sua aposentadoria compulsória, aos 75 anos, só ocorre em outubro de 2027. Lembram também que seus planos originais incluíam a Presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ou uma candidatura ao governo do Rio Grande do Sul.
A movimentação de Augusto Nardes coloca o PL como um dos principais postulantes à nova vaga que seria aberta, intensificando uma briga política que já envolve Republicanos, PSD e PT. O cenário promete esquentar ainda mais os bastidores de Brasília nas próximas semanas, à medida que o ministro se aproxima de sua decisão final.