Agricultor de Roraima cria máquina que debulha feijão e vence prêmio nacional de inovação
Agricultor cria máquina de debulhar feijão e vence prêmio nacional

Agricultor familiar de Roraima revoluciona colheita com máquina de debulhar feijão e conquista prêmio nacional

O agricultor familiar Francisco Edvan Ferreira, morador da região do Bom Intento, zona rural de Boa Vista, capital de Roraima, alcançou um feito notável nesta terça-feira (17) ao vencer o concurso Inventores, um prêmio nacional que reconhece iniciativas que promovem melhor qualidade de vida no campo. A vitória veio graças à sua criação: uma máquina debulhadora de feijão verde que promete transformar a rotina dos produtores rurais.

Reconhecimento nacional e premiação em dinheiro

Além de Francisco, outros nove agricultores familiares foram premiados nesta primeira edição do concurso, cada um recebendo R$ 10 mil. Os vencedores foram selecionados entre 242 invenções inscritas, em uma competição promovida pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), pela Embrapa e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A premiação ocorreu durante a Feira de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar, realizada em Campinas, São Paulo.

"É uma máquina que vai ajudar bastante a agricultura familiar. Feijão verde é difícil de debulhar na mão. Agora, com a máquina, acabaram os problemas", declarou Francisco, visivelmente emocionado após receber o prêmio. Esta não é a primeira vez que sua invenção é reconhecida: em novembro do ano passado, ele já havia conquistado o 1º Prêmio AgroInventor de Roraima.

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Como funciona a máquina que agiliza o trabalho no campo

A máquina, desenvolvida por Francisco em sua própria chácara, é construída com chapas de metal e motor. Ela possui uma plataforma onde as vagens são colocadas e dois rolos acionados mecanicamente. Ao passar pelos rolos, as vagens se abrem e liberam os grãos, que são separados automaticamente: os inteiros seguem por uma calha até a saída, enquanto os murchos ou danificados são direcionados para outro lado.

O equipamento representa um avanço significativo na eficiência produtiva. Antes, debulhar 30 litros de feijão manualmente levava até quatro horas; com a máquina, o mesmo volume é processado em apenas uma hora. "Essa máquina nasceu da necessidade do trabalho na roça. A ideia foi criar uma forma de facilitar o debulho do feijão e diminuir o esforço de quem vive da agricultura familiar", enfatizou o inventor.

Expansão comercial e desafios logísticos

Com o sucesso da invenção, Francisco decidiu comercializar a máquina, que já está sendo vendida em Roraima. Seu plano é expandir para outros estados, embora a logística de distribuição ainda represente um desafio. "Com minha necessidade eu acredito que resolvi a necessidade de outros produtores", afirmou o agricultor, que pretende patentear o equipamento ainda este ano.

O concurso Inventores foi criado especificamente para incentivar soluções que facilitem o trabalho no campo, aumentem a produtividade e fortaleçam a agricultura familiar. Além dos agricultores, a premiação também contemplou pesquisadores e microempreendedores rurais, destacando a importância da inovação tecnológica para o setor.

Feira nacional discute futuro da agricultura familiar

Paralelamente à premiação, Francisco continua participando da Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar, que se estende até esta quarta-feira (18). O evento é um espaço crucial para discutir inovação tecnológica, mecanização e políticas públicas voltadas ao setor, com exposição de equipamentos adaptados às diferentes realidades produtivas, como motocultivadores e microtratores.

A história de Francisco Edvan Ferreira serve como inspiração para outros agricultores familiares, demonstrando como a criatividade e a persistência podem gerar soluções práticas que melhoram não apenas a produtividade, mas também a qualidade de vida no campo. Sua máquina debulhadora de feijão verde é um exemplo concreto de como a inovação pode surgir das necessidades cotidianas e transformar realidades locais.

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