Recife se torna personagem em filme indicado ao Oscar graças à tecnologia
Tecnologia transforma Recife em personagem de filme do Oscar

Recife se transforma em protagonista através da tecnologia no cinema

A poucos dias da cerimônia do Oscar, a expectativa cresce no Recife, onde a tecnologia desempenhou um papel fundamental para transformar a cidade em um verdadeiro personagem no filme "O Agente Secreto". A produção, que concorre em quatro categorias do prêmio máximo do cinema, utilizou efeitos visuais avançados para recriar digitalmente a capital pernambucana da década de 1970, permitindo que locações icônicas ganhassem vida na tela grande.

Da realidade para a ficção: o tubarão que virou atração

Uma das cenas mais marcantes do filme envolve um tubarão-tigre, que saiu das águas do Recife para se tornar parte da narrativa cinematográfica. Após as gravações, a réplica do animal foi doada para uma universidade federal, onde se transformou em atração. "Quando ele foi liberado para ser exposto, todo mundo no laboratório queria ver, queria tirar foto, foi um 'auê' aqui, foi muito bacana", relata Mari Rêgo, pesquisadora e coordenadora do NEA da UFRPE.

Locais históricos e memórias revividas

"O Agente Secreto" foi ambientado inteiramente no Recife, utilizando diversos pontos da cidade como locação. O Parque Treze de Maio, o Ginásio Pernambucano e o Cinema São Luiz foram alguns dos cenários que receberam as filmagens. No último, a atriz Mariza Moreira gravou uma participação especial, misturando lembranças pessoais com a ficção. "Eu olhava o meu sapato, eu olhava aquele cigarro, as vitrines, os carros, e eu me lembrava, misturava memória com o que eu estava vendo ali agora, né", comenta a artista.

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A visão do diretor: Recife no panorama mundial

Para o diretor Kleber Mendonça Filho, nascido no Recife, a cidade ganhou um lugar de destaque no cenário internacional através do cinema. "O Recife está no Oscar da mesma maneira que durante tantos anos, eu vi filmes franceses, americanos. Eu vi Paris, Nova York, Los Angeles, e, dessa vez, a gente tem um filme feito em Recife, Pernambuco, que está sendo visto no mundo inteiro", destaca o cineasta, enfatizando a universalidade da narrativa local.

Efeitos visuais: uma viagem no tempo digital

Para contar uma história ambientada no final dos anos 1970, a equipe de VFX (efeitos visuais) precisou reconstituir digitalmente diversos elementos urbanos. Letreiros em prédios, o chão da ponte, ônibus antigos – tudo foi recriado com base em pesquisas iconográficas rigorosas. "Boa parte disso foi feito com pesquisas de foto e de vídeo. Eu organizava esse material e enviava diretamente para a casa de VFX, e lá eles tinham uma base suficiente para construir cenários virtuais, para acrescentar placas antigas", explica André Pinto, supervisor de efeitos visuais do filme.

Reconhecimento além do prêmio

O crítico e professor de cinema Alexandre Figueiroa ressalta que o verdadeiro prêmio já foi conquistado. "Que bacana 'O Agente Secreto' dar essa visibilidade a uma cidade e mostrar que o cinema não é preciso ser feito apenas nos grandes centros. As pessoas perguntam muito 'ah, você acha que vai ganhar o Oscar?'. Olha, para mim já ganhou! O prêmio já está aí, é esse reconhecimento que o filme tem", afirma. A tecnologia não apenas transportou o Recife para o passado, mas também abriu as portas do mundo para a cidade, demonstrando que o futuro do cinema já chegou à capital pernambucana.

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