Jorge Messias é sabatinado no Senado para vaga no STF; entenda o processo
Sabatina de Jorge Messias no Senado para vaga no STF

O atual advogado-geral da União, Jorge Messias, passa por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal nesta quarta-feira (29). Ele foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), após Luís Roberto Barroso anunciar sua aposentadoria da Corte.

Processo de aprovação no Senado

Para chegar ao STF, o indicado precisa do apoio de ao menos 41 dos 81 senadores, a maioria absoluta. A Constituição de 1988 estabelece que a indicação de ministros ao Supremo deve ser aprovada pelo Senado. O processo começa com a sabatina na CCJ e termina com votação em plenário.

Se o nome de Jorge Messias for rejeitado pelo Senado, o presidente da República deve indicar outro nome para a mesma vaga, submetendo-o novamente à aprovação pela maioria absoluta. Se aprovado pela comissão, cabe ao presidente do Senado incluir a matéria na pauta do plenário. A aprovação requer o voto favorável da maioria absoluta da composição da Casa. Uma vez aprovada, o Senado comunica a decisão ao Executivo, que providencia a publicação da nomeação no Diário Oficial da União.

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Placar de indicações anteriores

Veja abaixo como foi o placar de votações de últimos indicados ao STF. O Senado rejeitou cinco indicações em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto: Barata Ribeiro, Innocêncio Galvão de Queiroz, Ewerton Quadros, Antônio Sève Navarro e Demosthenes da Silveira Lobo.

Quem é Jorge Messias?

Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 45 anos e é natural de Pernambuco. Está no governo desde o início da terceira gestão Lula, em 2023. Principais pontos da trajetória:

  • Tomou posse na AGU em 2023, no início do governo Lula. Antes, integrava a equipe de transição.
  • Servidor público desde 2007, atuou em diversos órgãos do Executivo, como o Banco Central (2006-2007) e o BNDES.
  • É considerado um nome de confiança de Lula, com apoio de ministros do PT e da ala palaciana.
  • Mantém relação próxima e leal com o presidente desde os tempos do governo Dilma Rousseff.
  • Como advogado-geral da União, defendeu as instituições democráticas, especialmente o STF, diante de ameaças do governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump.
  • Liderou ações judiciais ligadas a pautas estratégicas para o governo Lula, como a defesa do decreto do IOF e a regulamentação de redes sociais.

Atuação na AGU

Desde que assumiu o comando da Advocacia-Geral da União, Messias desempenhou papel central na estratégia jurídica do governo Lula, liderando ações em frentes sensíveis para o Planalto. Entre os principais casos, está a tentativa de reverter, no STF, a decisão do Congresso Nacional que sustou o decreto do Executivo que previa aumento nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

"Medida adotada pelo Congresso acabou por violar o princípio da separação de poderes", disse Jorge Messias. A medida era considerada fundamental para o governo fechar as contas públicas. O caso gerou queda de braço entre governo e Congresso, envolvendo a separação dos poderes e a autonomia do governo na política fiscal. Após o STF se manifestar, o ministro Alexandre de Moraes, relator, decidiu manter quase a totalidade do decreto que aumentou o IOF.

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