NASA revela composição do cometa interestelar 3I/ATLAS com água e moléculas orgânicas
Cometa interestelar 3I/ATLAS tem água e moléculas orgânicas

NASA desvenda mistério do cometa interestelar 3I/ATLAS com água e compostos orgânicos

A agência espacial norte-americana, NASA, revelou imagens e análises inéditas do cometa interestelar 3I/ATLAS, um visitante raro que está de passagem pelo nosso Sistema Solar. As observações detalhadas foram realizadas pelo telescópio espacial SPHEREx, que conseguiu identificar com precisão a composição da nuvem de gás e poeira que envolve o objeto celeste.

Composição química revelada pelo telescópio SPHEREx

O telescópio espacial SPHEREx analisou a luz infravermelha emitida pelo material liberado pelo cometa, separando-a em mais de cem faixas diferentes. Essa técnica sofisticada permitiu aos cientistas identificar substâncias específicas presentes na chamada coma, a nuvem que envolve o cometa quando seu gelo aquece e se transforma em gás ao se aproximar do Sol.

Entre os compostos detectados estão:

  • Água em estado gasoso
  • Partículas de poeira cósmica
  • Dioxido de carbono
  • Moléculas orgânicas complexas

Na Terra, compostos orgânicos semelhantes fazem parte da base da vida, embora sua formação não dependa necessariamente de processos biológicos. Essa descoberta é particularmente significativa porque o 3I/ATLAS preserva materiais praticamente inalterados desde sua formação, funcionando como uma verdadeira "cápsula do tempo" natural de outros sistemas estelares.

Processo de formação da coma e caudas cometárias

À medida que o cometa se aproxima do Sol, bolsões de gás presos no núcleo congelado se rompem com o aquecimento, liberando jatos que empurram poeira para o espaço. Esse processo alimenta o crescimento das características caudas cometárias e forma um envoltório que pode se estender por milhares de quilômetros.

O método de análise do SPHEREx funciona de forma semelhante a um exame laboratorial: cada material deixa uma espécie de "assinatura" na luz infravermelha, que pode ser reconhecida pelos instrumentos científicos. As imagens divulgadas pela NASA mostram painéis separados indicando as regiões onde se concentram diferentes tipos de material na coma.

Origem interestelar e especulações sobre natureza artificial

Descoberto em julho de 2025 por um telescópio do sistema ATLAS no Chile, o 3I/ATLAS tem trajetória e velocidade que indicam claramente sua origem fora do Sistema Solar. Até hoje, apenas três visitantes interestelares desse tipo foram identificados pelos astrônomos, tornando este um objeto extremamente raro e valioso para a pesquisa científica.

O cometa ganhou atenção extra nas redes sociais após especulações sobre uma possível origem artificial, hipótese levantada inicialmente pelo pesquisador Avi Loeb da Universidade Harvard. No entanto, a NASA descartou formalmente essa possibilidade.

"O objeto 3I/ATLAS é um cometa — sua aparência, comportamento e todas as evidências científicas apontam nessa direção", afirmou Amit Kshatriya, administrador associado da agência espacial.

O astrônomo Cássio Barbosa reforçou a posição científica dominante: "Essas emissões vêm de radicais hidroxila, formados quando a radiação ultravioleta do Sol quebra moléculas de água do cometa. Isso é uma assinatura química natural". O fenômeno, comum em corpos gelados, já foi usado para identificar água em asteroides e na própria Lua.

Importância científica do cometa interestelar

Os astrônomos acreditam que o 3I/ATLAS pode ser até 3 bilhões de anos mais antigo que o Sol, o que o transforma em uma relíquia da formação de outros sistemas planetários. Por preservar materiais primordiais praticamente inalterados, o cometa oferece uma oportunidade única de estudar as condições existentes em sistemas estelares distantes bilhões de anos atrás.

Essas observações detalhadas ajudam os cientistas não apenas a identificar do que o cometa é feito, mas também a entender como esses compostos se transformam quando são aquecidos pela radiação solar durante sua passagem pelo nosso Sistema Solar.