Missão Artemis II faz história ao explorar o lado oculto da Lua e bater recorde de distância
Em um voo inédito ao redor da Lua, quatro astronautas da missão Artemis II fizeram história nesta segunda-feira (6), tornando-se os seres humanos que viajaram ao ponto mais distante do planeta Terra até agora. Ao longo de sete horas, eles chegaram tão perto da Lua que viram um lado dela que ninguém, da Terra, consegue enxergar, um feito acompanhado passo a passo por jornalistas e apaixonados por ciência do mundo inteiro.
Comunicação reestabelecida após 40 minutos de silêncio
Às 19h27 no horário de Nova York, 20h27 pelo horário de Brasília, a nave Orion finalmente reestabeleceu contato com a Terra. A primeira pessoa a falar foi a astronauta Christina Koch, que disse: "É muito bom ouvir a Terra novamente". O alívio foi evidente, pois a tripulação passou 40 minutos sem comunicação com o centro de comando em Houston, no Texas, devido à Lua ficar entre a nave e a Terra, bloqueando as ondas de frequência de rádio.
Nesse momento, eles estavam mais perto da Lua, a uma distância de cerca de 400 km, equivalente à distância da Estação Espacial Internacional em relação à Terra. Para os astronautas, a Lua parecia tão perto que estava do tamanho de uma bola de basquete, proporcionando uma visão deslumbrante e única.
Estratégia de marketing da Nasa atrai público jovem
Pela primeira vez, a Nasa autorizou que astronautas levassem smartphones em uma missão desse tipo, como parte de uma estratégia de marketing para envolver o público, especialmente os mais jovens. Cada astronauta levou um celular para postar a rotina no espaço, transformando a missão em um "Big Brother" espacial, com imagens belíssimas e bastidores compartilhados em tempo real.
Os celulares têm duas alterações: o bluetooth não funciona e nem o sinal de telefonia, para evitar interferências com a espaçonave. Em uma publicação, o comandante da missão compartilhou sua rotina matinal, incluindo fazer a barba e presenciar algo que os olhos humanos nunca viram antes.
Reações emocionantes e homenagens especiais
Quando atingiram a maior distância da Terra, Christina Koch expressou emoção com a grandiosidade do momento, dizendo: "A gente pode conhecer, explorar o espaço, mas, no fim das contas, sempre escolheremos o planeta Terra. Sempre escolheres uns aos outros". O piloto enviou uma mensagem direta para sua esposa, que acompanhava do centro de controle: "Eu te amo aqui da Lua".
O dia começou com uma mensagem do passado de Jim Lovell, astronauta da Apollo 8 e Apollo 13, que faleceu em 2025, dando as boas-vindas à sua "antiga vizinhança" e passando o bastão para a nova geração. Os astronautas da Artemis II bateram o recorde de distância de Lovell, chegando a 406.777 km da Terra, 6.606 km mais longe que a Apollo 13.
Batismo de crateras e visão do lado oculto
O canadense Jeremy Hansen, ao ultrapassar a maior distância já atingida pela humanidade, honrou os esforços dos antecessores e desafiou as próximas gerações a quebrar o recorde. Ele batizou duas novas crateras: uma como "Integrity", nome dado à cápsula, e outra como "Caroll", em homenagem à esposa do comandante Reid Wiseman, que morreu de câncer em 2020, levando a um momento de silêncio emocionado.
Os astronautas então rumaram para o lado oculto da Lua, vendo com os próprios olhos a parte nunca vista da Terra, iluminada pelo Sol. O físico espacial Phil Anderson explicou que, apesar de passarem a 4 mil km, conseguiram ver tudo de perto com telescópios e câmeras, destacando a solidão do período sem comunicação como um momento único e assustador.
Próximos passos e objetivos futuros
Os astronautas devem voltar para a Terra no dia 10 de abril, onde compartilharão suas experiências e passarão por exames para estudar os efeitos da distância e radiação no corpo humano. Um experimento chamado "Experiência avatar" analisará material genético antes e depois da missão para verificar impactos da radiação solar e cósmica.
O objetivo final das missões Artemis é posar a primeira mulher na Lua, com a Artemis IV programada para 2028. Esta missão marca o início de uma nova era na exploração lunar, combinando avanços tecnológicos com uma abordagem inovadora de documentação e engajamento público.



