Tripulação da Artemis II testemunha impactos de meteoritos na Lua durante sobrevoo histórico
Durante o histórico sobrevoo lunar realizado pela missão Artemis II da Nasa, os astronautas a bordo testemunharam um fenômeno raro e fascinante: meteoritos atingindo a superfície acidentada da Lua. O evento, que despertou imediata curiosidade na comunidade científica internacional, ocorreu enquanto a espaçonave realizava a primeira viagem tripulada ao redor do satélite natural em mais de meio século.
"Pontinhos de luz" na escuridão lunar
"Isso definitivamente foram flashes de impacto na Lua. E Jeremy [Hansen] acabou de ver outro", relatou emocionado o comandante da missão, Reid Wiseman, durante as comunicações com a Terra na segunda-feira, 6 de abril. A resposta da responsável científica lunar da missão, Kelsey Young, que acompanhava a espaçonave a mais de 400 mil quilômetros de distância, foi igualmente entusiasmada: "Incrível".
Young confessou posteriormente em coletiva de imprensa: "Eu não sei se esperava que a tripulação visse algum nesta missão, então vocês provavelmente perceberam a surpresa e o choque no meu rosto". Entre a equipe da Nasa em Houston, houve "gritos audíveis de alegria" por parte dos cientistas quando a tripulação descreveu os flashes de luz causados pelos impactos.
Fenômeno raro durante eclipse solar
De acordo com levantamento oficial da agência espacial americana, a equipe - que bateu o recorde de maior distância da Terra durante o sobrevoo - relatou um total de seis impactos de meteoritos na superfície lunar. A maioria dos registros ocorreu durante um eclipse solar, quando a Lua passou em frente ao Sol, criando condições ideais para observação.
"É como um pontinho de luz", descreveu o membro canadense da tripulação, Jeremy Hansen, quando questionado sobre as características dos impactos. "Eu suspeitaria que havia muitos mais." O comandante Wiseman complementou: "Eu diria que duraram um milissegundo, como o tempo mais rápido que o obturador de uma câmera pode abrir e fechar", acrescentando que os flashes eram "brancos a branco-azulados".
Importância científica das observações
As descrições detalhadas dos astronautas permitirão aos cientistas "ter uma ideia da frequência dos impactos", bem como do tamanho dos projéteis, segundo Bruce Betts, cientista-chefe da Planetary Society. "Uma das questões era qual tamanho um objeto precisa ter para produzir um flash visível para os astronautas", explicou Betts. "Não é um grão de poeira, mas também não é uma rocha de um metro de tamanho."
Peter Schultz, professor emérito de Ciências Geológicas na Brown University, destacou que as observações levantam questionamentos importantes e mostram que o "fluxo diário de meteoros deve ser monitorado mais de perto no futuro antes que uma base lunar seja estabelecida".
Desafios únicos da superfície lunar
Betts explicou uma diferença crucial entre a Terra e a Lua: enquanto em nosso planeta objetos menores "queimam nas camadas altas da atmosfera devido ao atrito" antes de atingir o solo, no satélite natural esse processo não ocorre. "Há mais desafios na Lua", afirmou o cientista, destacando a importância de compreender melhor esses fenômenos para futuras missões de exploração.
As equipes em solo agora trabalham para cruzar essas observações históricas com dados de um satélite em órbita da Lua, processo que promete revelar novas informações sobre a dinâmica dos impactos meteoríticos no sistema Terra-Lua.



