Tecnologias da NASA criadas para o espaço revolucionam a vida cotidiana na Terra
Muito além das descobertas espaciais, cada missão da NASA representa uma oportunidade valiosa para testar e desenvolver novas tecnologias. Essas inovações, inicialmente projetadas para desafios cósmicos, frequentemente encontram seu caminho para o nosso dia a dia, muitas vezes de maneiras que sequer imaginamos. A aproximadamente 400 mil quilômetros do nosso planeta, através de pequenas janelas, astronautas capturam imagens da Terra, inclusive utilizando telefones celulares. No entanto, o envio dessas fotos não depende dos dispositivos móveis convencionais.
Comunicação a laser: o futuro da transmissão de dados
As missões espaciais empregam um sistema de comunicação revolucionário baseado em laser, que é cerca de 100 vezes mais potente do que os sistemas de rádio tradicionalmente utilizados. Este avanço tecnológico permite o envio de imagens, vídeos em alta definição 4K e informações críticas com eficiência sem precedentes. Originalmente desenvolvido para conectar a Terra a destinos distantes no espaço profundo, esse sistema promete transformar também a experiência de streaming em dispositivos móveis aqui no nosso planeta.
"Hoje, utilizamos a tecnologia 5G em nossos telefones, que envolve compressão de dados. O que surgirá após essas experiências espaciais serão novas tecnologias de compressão e criptografia. Consequentemente, nossas conversas se tornarão mais rápidas, mais precisas e, certamente, mais seguras. O como exatamente isso ocorrerá, ainda não sabemos", explica Annibal Hetem Junior, professor especializado em propulsão espacial.
Do espaço para o cotidiano: exemplos concretos de transferência tecnológica
Se essa transição ocorrer, não será a primeira vez que uma tecnologia criada para viagens espaciais é incorporada à rotina terrestre. Na exploração cósmica, frequentemente, ao se buscar a Lua, descobrem-se caminhos que melhoram a vida na Terra. "Quando a humanidade pisou na Lua pela primeira vez, no século passado, ninguém poderia imaginar que aquilo daria início à indústria de satélites - hoje essencial para comunicação, controle climático e navegação. Atualmente, todos utilizam internet, comunicação por satélite e GPS. Isso é uma consequência direta em nosso cotidiano", afirma Fábio Rodrigues, pesquisador do Instituto de Química da USP.
Considerando o aparelho que quase todos carregam no bolso, foi no Laboratório de Propulsão da NASA, na Califórnia, que se originaram várias tecnologias presentes nos celulares modernos:
- O sensor das câmeras atuais, originalmente desenvolvido para permitir fotografia no espaço.
- O termômetro infravermelho que mede temperatura aproximando-se do ouvido, criado para analisar a temperatura de estrelas.
- Espumas especiais utilizadas em travesseiros, que inicialmente serviam para garantir segurança nas poltronas de foguetes.
Benefícios secundários e perspectivas futuras
"Ganhamos muitas coisas. E todos são benefícios secundários. Por se tratar de missões complexas, de grande escala e que envolvem atividades nunca realizadas antes, precisamos desenvolver novas tecnologias. E com isso, ganhamos essas inovações. Esse é o maior prêmio que recebemos", detalha Annibal Hetem Junior.
O objetivo principal da missão Artemis II é avançar no processo que levará à estabelecimento de uma base lunar e, posteriormente, a Marte. Todos os testes e pesquisas são conduzidos com essa finalidade. No entanto, é quase certo que, no caminho rumo aos confins do espaço, transformemos nossa realidade bem mais próxima aqui na Terra. "Talvez, nossas roupas, a forma como nos comunicamos, nossos relógios. Assim que a missão começar a gerar frutos financeiros, produtos com essa tecnologia começarão a aparecer. Novas ligas metálicas, novos plásticos, cerâmicas diferentes. Com certeza vai acontecer", projeta Annibal Hetem Junior.



