Epic Games anuncia demissões em massa e cortes de US$ 500 milhões após queda no Fortnite
A Epic Games, desenvolvedora do fenômeno global Fortnite, anunciou nesta terça-feira a demissão de mais de 1.000 funcionários, em meio a uma queda significativa no engajamento do jogo e a um cenário econômico desafiador para a indústria de videogames. Esta é a segunda grande rodada de cortes de pessoal da empresa em apenas três anos, refletindo as dificuldades enfrentadas pelo setor.
Cortes drásticos para manter a empresa funcionando
Em comunicado interno aos funcionários, o presidente-executivo Tim Sweeney explicou que a empresa está "gastando muito mais do que está ganhando" e que são necessários cortes drásticos para garantir a continuidade das operações. Além das demissões, a Epic Games planeja economizar aproximadamente US$ 500 milhões através da redução de gastos com contratos externos, campanhas de marketing e eliminação de vagas em aberto.
Sweeney destacou que as condições atuais do mercado são "as mais extremas" desde a fundação da empresa em 1991, ressaltando os desafios para manter a magia do Fortnite de forma consistente. O executivo também foi enfático ao afirmar que as demissões não estão relacionadas à inteligência artificial, afastando-se dos temores da indústria sobre a substituição de desenvolvedores por tecnologia.
Queda no engajamento e aumento de preços
O anúncio ocorre em um momento de desaceleração no engajamento do Fortnite, mesmo que o jogo continue liderando em número de jogadores ativos mensais nos Estados Unidos, considerando PlayStation e Xbox. No entanto, dados do diretor sênior da Circana, Mat Piscatella, revelam que o tempo médio de jogo caiu drasticamente, indicando uma redução na retenção dos jogadores.
Para enfrentar os custos crescentes de manutenção do jogo, a Epic Games já havia aumentado os preços da moeda virtual do Fortnite no início deste mês. Jogos de serviço ao vivo, como Fortnite, dependem de um fluxo constante de conteúdo novo e caro para manter os jogadores engajados, o que se tornou um desafio maior com a incerteza econômica.
Contexto da indústria e demissões anteriores
A Epic Games não está sozinha nessa onda de cortes. Em setembro de 2023, a empresa já havia demitido cerca de 830 funcionários, equivalente a aproximadamente 16% de sua força de trabalho, em uma tentativa de aumentar a lucratividade. Outras gigantes do setor também tomaram medidas semelhantes:
- A Electronic Arts demitiu centenas de funcionários e cancelou um jogo da franquia Titanfall em desenvolvimento.
- Os cortes de pessoal da Amazon no final do ano passado afetaram sua divisão de jogos.
Além disso, o setor enfrenta pressões adicionais com o aumento dos preços dos chips de memória, já que a crescente demanda de centros de dados de inteligência artificial absorve a oferta, elevando os custos dos semicondutores e forçando fabricantes de consoles a aumentarem preços.
Apesar de títulos de grande sucesso como Fortnite terem se mostrado resilientes após a pandemia, a estagnação do crescimento da indústria e a redução da demanda além das maiores franquias têm levado a ajustes dolorosos. A porcentagem exata de funcionários afetados pelo anúncio de terça-feira ainda não foi divulgada, mas a medida reforça a volatilidade do mercado de videogames em um período de transformação econômica.



