Gigantes da tecnologia apostam em reatores nucleares compactos para suprir demanda de IA
As maiores empresas de tecnologia do mundo estão direcionando investimentos significativos para empresas americanas de energia nuclear, com o objetivo claro de acelerar o desenvolvimento de reatores menores, mais avançados e com maior capacidade de escalabilidade do que as tradicionais usinas nucleares. O interesse concentra-se nos chamados pequenos reatores modulares (SMRs), cuja popularidade disparou recentemente devido à necessidade urgente das big techs de ampliar a oferta de eletricidade para alimentar seus imensos data centers dedicados à inteligência artificial.
Data centers de IA: um apetite voraz por energia
Os data centers especializados em inteligência artificial são infraestruturas críticas que armazenam e processam volumes colossais de informações, necessárias para treinar modelos de linguagem complexos. Esses centros consomem quantidades de energia equivalentes ao que milhões de residências utilizam, colocando-os no centro de debates sobre infraestrutura energética e até mesmo levando alguns estados americanos a discutirem moratórias temporárias para novas construções.
Diante desse cenário de demanda explosiva, as gigantes do setor tecnológico estão fechando acordos estratégicos:
- Meta financiou a criação de duas unidades nucleares da Terrapower, com capacidade total de 690 megawatts, e firmou parceria com a Oklo para desenvolver um campus de energia nuclear de 1,2 gigawatts.
- Amazon está colaborando com a X-energy para implantar pequenos reatores nucleares que, juntos, devem alcançar 5 GW de potência até 2039.
- Google anunciou um compromisso com a Kairos Power para colocar seu primeiro pequeno reator modular em operação até 2030.
Um novo impulso para o setor nuclear americano
Até o momento, nenhuma nova geradora de energia nuclear começou a operar comercialmente nos Estados Unidos, enfrentando obstáculos como restrições de financiamento e riscos tecnológicos por serem projetos pioneiros. No entanto, a corrida por energia para data centers de IA está injetando um novo fôlego no segmento.
Segundo Shioly Dong, analista da BMI (unidade da Fitch Solutions), os acordos com as big techs fornecem às geradoras "a certeza de receita que os bancos comerciais exigirão para a dívida de construção" desses projetos nucleares. A Administração de Informação Energética (EIA) dos EUA projeta que o uso de eletricidade no país aumentará 1% este ano e 3% no próximo, impulsionado principalmente pela demanda dos data centers.
Vantagens dos pequenos reatores modulares
Os SMRs emergem como alternativas nucleares mais viáveis financeiramente. Tim Winter, gerente do Gabelli Utilities Fund, explica que sua escala modular e cronogramas de construção mais curtos reduzem a exposição ao capital inicial, tornando-os mais atrativos para investidores.
"O setor precisa de alguém que assuma os riscos de custos excedentes e atrasos. O grau em que os hiperescaladores estiverem dispostos a fazer isso determinará o quanto de impulso esses acordos dão ao setor", afirmou Winter.
Desafios e perspectivas futuras
Bonita Chester, porta-voz da Oklo, destaca que a demanda por IA está levando clientes a firmarem contratos de longo prazo que apoiam o desenvolvimento de projetos. O acordo com a Meta, por exemplo, inclui financiamento para garantir combustível nuclear e avançar na primeira fase do projeto em Ohio.
Esse interesse de compradores de energia de longo prazo começa a atrair investidores institucionais para um setor que historicamente dependia de apoio governamental e capital de risco. Tess Carter, do Rhodium Group, observa que "os bancos estão ficando animados e interessados em fazer negócios nessa área, o que seria um grande desenvolvimento".
Contudo, os investimentos institucionais em larga escala ainda não se materializaram. O setor de nuclear avançado continua enfrentando obstáculos significativos, incluindo altos riscos de construção e incertezas tecnológicas que precisam ser superadas para que a promessa dos pequenos reatores modulares se torne realidade.



