Apple completa 50 anos: uma trajetória de sucessos estrondosos e fracassos marcantes
Apple aos 50 anos: sucessos e fracassos que moldaram a tecnologia

Apple completa 50 anos: uma jornada de inovação e desafios

A Apple, empresa que redefiniu profundamente como as pessoas interagem com a tecnologia no cotidiano, celebrou recentemente seu 50º aniversário de fundação. Criada por dois Steves em uma garagem em São Francisco, Califórnia, a companhia construiu um legado de sucesso estrondoso, mas também foi marcada por fiascos notáveis que moldaram sua trajetória.

Atualmente, estima-se que aproximadamente uma em cada três pessoas no planeta possui um produto da Apple. Para Emma Wall, estrategista-chefe de investimentos da Hargreaves Lansdown, esse alcance massivo está intimamente ligado ao marketing poderoso da empresa, além de seu hardware inovador. "Eles venderam um sonho", ela afirma, destacando que a Apple desenvolveu algo bastante novo na época: a ideia de que a marca é tão crucial quanto a linha de produtos.

O legado de Steve Jobs e a era Tim Cook

A série de sucessos da Apple sofreu uma desaceleração após a morte do visionário cofundador Steve Jobs em 2011. A empresa passou a focar mais no aprimoramento de tecnologias já existentes. Ken Segall, diretor criativo de Jobs por 12 anos, reconhece que o atual CEO, Tim Cook, fez um "trabalho incrível" em adaptar a empresa ao longo do tempo, mantendo sua rentabilidade. No entanto, muitos puristas da Apple ainda sentem nostalgia da era Jobs, lembrando-se da companhia como mais inovadora e arrojada.

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Sucessos que transformaram o mercado

iPod: Lançado em 2001, o iPod não foi o primeiro aparelho de música digital portátil, mas se tornou um dos produtos mais simbólicos da Apple. Segundo Craig Pickerill, do blog The Apple Geek, ele mudou a indústria quase da noite para o dia, com seu design de anel de clique e a introdução da biblioteca iTunes, que estabeleceu o download legal de música como padrão. Francisco Jeronimo, analista da IDC, ressalta que sem o iPod, a Apple talvez não tivesse o suporte financeiro e a maturidade operacional para entrar no complexo mercado de smartphones.

iPhone: Com mais de 200 milhões de unidades vendidas anualmente, o iPhone é descrito por Ben Wood, da CCS Insight, como o "Hotel Califórnia dos smartphones" – uma vez dentro do ecossistema Apple, é difícil sair. Apresentado por Steve Jobs em 2007 como um combinado de iPod, telefone e comunicador via internet, seu marketing cativante, segundo a jornalista Kara Swisher, fez com que o aparelho fosse visto não apenas como um dispositivo tecnológico, mas como um objeto de desejo e romance.

Apple Watch: Lançado em 2015, o Apple Watch, sob a liderança de Tim Cook, tornou-se o smartwatch mais vendido do mundo, gerando cerca de US$ 15 bilhões em receita. Wood observa que, como negócio isolado, ele estaria entre as 250 a 300 maiores empresas dos EUA. Além disso, o relógio foi pioneiro em tecnologia de saúde vestível, com funções como monitoramento cardíaco, superando em vendas anuais toda a indústria de relógios suíços tradicionais.

Fracassos que ensinaram lições valiosas

Apple Lisa: Lançado em 1983 por cerca de US$ 10 mil, o computador pessoal Apple Lisa foi inovador ao incorporar uma interface gráfica e mouse, mas, segundo o analista Paolo Pescatore, era caro demais para o mercado corporativo, demonstrando que estar à frente não basta se o produto estiver mal posicionado. A Apple aprendeu com esse erro ao lançar o Macintosh original um ano depois, com preço mais acessível.

Teclado 'borboleta': Introduzido em laptops em 2015, esse mecanismo foi um raro deslize de confiabilidade, segundo Pickerill. Usado em modelos como o MacBook Air, ele priorizava a espessura fina em detrimento da durabilidade, dificultando a digitação para muitos usuários. A Apple acabou removendo-o em 2019 com o lançamento do novo MacBook Pro.

Vision Pro: Este headset de realidade aumentada, lançado recentemente, é considerado por Wood um fracasso notável. Com preço elevado de US$ 3,5 mil e falta de conteúdo atraente, a Apple reduziu a produção devido à baixa demanda e estoque não vendido. Wood acredita que isso tornará a empresa mais cautelosa ao entrar em áreas como óculos inteligentes no futuro.

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Com meio século de história, a Apple continua a ser uma força dominante na tecnologia, equilibrando inovação com lições aprendidas de seus altos e baixos, enquanto molda o futuro digital global.