Nasa captura colisão galáctica: Webb e Chandra revelam fusão de IC 2163 e NGC 2207
Telescópios da Nasa capturam colisão impressionante de galáxias

Um espetáculo cósmico de proporções épicas foi capturado pelos olhos mais avançados da humanidade no espaço. Dois dos principais telescópios da agência espacial norte-americana, Nasa, registraram o momento inicial de uma colisão colossal entre duas galáxias espirais, um evento que remodelará completamente esses sistemas estelares ao longo de bilhões de anos.

O Encontro Cósmico: IC 2163 e NGC 2207

A imagem histórica, divulgada em 8 de janeiro de 2026, mostra as galáxias conhecidas como IC 2163 e NGC 2207. Elas estão localizadas a uma distância impressionante de cerca de 120 milhões de anos-luz do nosso planeta, na direção da constelação de Canis Major (Cão Maior).

Na composição, a IC 2163 aparece no canto superior esquerdo, enquanto a NGC 2207 domina a região central e inferior direita. A força gravitacional já começou seu trabalho, distorcendo os majestosos braços espirais de ambas. Esses longos braços azulados estão pontilhados por áreas brilhantes, que são, na verdade, berçários estelares onde novas estrelas estão nascendo devido à compressão do gás interestelar.

Os astrônomos explicam que as galáxias já realizaram uma passagem próxima, um "rasante" gravitacional, milhões de anos atrás. Esse encontro foi o pontapé inicial para o longo processo de fusão que agora está em seus estágios iniciais.

A Tecnologia Por Trás da Imagem Espetacular

A captura deste fenômeno só foi possível graças à combinação de dados de dois observatórios espaciais de ponta, cada um especializado em um tipo diferente de radiação.

O telescópio espacial James Webb contribuiu com observações no espectro infravermelho. Sua visão penetra as densas nuvens de poeira cósmica, revelando regiões frias de gás onde a formação estelar está ocorrendo. Por outro lado, o observatório Chandra focou nos raios X, que emanam de ambientes extremamente quentes e energéticos, como os arredores de buracos negros ou locais de explosões estelares violentas.

A fusão desses dados criou um mosaico científico único. Ele permite que os pesquisadores mapeiem simultaneamente onde o material cósmico está se acumulando para formar novas gerações de estrelas e onde processos de alta energia estão aquecendo e agitando o meio interestelar.

O Futuro de Uma Colisão Galáctica

Colisões e fusões de galáxias não são eventos raros no universo; na verdade, são um mecanismo fundamental para o crescimento e a evolução das estruturas galácticas ao longo da história cósmica.

No curto prazo, em uma escala de tempo de milhões de anos, os efeitos são dramáticos: a gravidade mútua estica e deforma os discos galácticos, comprime enormes nuvens de gás molecular e pode desencadear surtos intensos de formação estelar, conhecidos como "starbursts".

O destino final deste par, no entanto, está traçado para daqui a bilhões de anos. A atração gravitacional contínua e inevitável levará à fusão completa da IC 2163 e da NGC 2207. Elas perderão suas identidades espirais individuais e se fundirão em uma única nova galáxia, provavelmente de forma elíptica. Este "balé cósmico", agora documentado em seus primeiros passos, é uma janela poderosa para entender as forças dinâmicas que moldam o universo em que vivemos.