Ford Mustang Dark Horse custa R$ 649 mil no Brasil, mas na Argentina sai por R$ 390 mil após corte de impostos
Mustang Dark Horse: R$ 649 mil no Brasil, R$ 390 mil na Argentina

Diferença de preços choca: Mustang Dark Horse custa quase o dobro no Brasil

Enquanto o Ford Mustang Dark Horse é vendido por R$ 649 mil no mercado brasileiro, na Argentina o mesmo modelo agora está disponível por apenas R$ 390 mil (equivalente a US$ 75 mil). A impressionante diferença de preço reflete mudanças recentes na política tributária argentina que estão revolucionando o mercado automotivo do país vizinho.

Descontos expressivos em veículos de luxo

Dezenas de carros premium na Argentina receberam reduções significativas de preço nos últimos dias. A Audi cortou US$ 37 mil (R$ 192 mil) no valor do RS Q8, que agora custa US$ 250 mil (R$ 1,3 milhão). Já a Ford passou a comercializar o Mustang GT por US$ 65 mil (R$ 338 mil), uma economia de US$ 25 mil (R$ 132 mil) em relação ao preço anterior de US$ 90 mil (R$ 470 mil).

O Mustang Dark Horse, que anteriormente era vendido por US$ 97 mil (R$ 505 mil) na Argentina, teve seu valor reduzido para os atuais US$ 75 mil (R$ 390 mil). Marcas como Toyota, Lexus e Mercedes-Benz também oferecem descontos consideráveis, com reduções médias de aproximadamente 15% em seus modelos.

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Fim do 'imposto do luxo' explica reduções

A explicação para essa drástica queda nos preços está na eliminação parcial do imposto interno aplicado a veículos, embarcações, aviões e outros itens de alto valor. Conhecido popularmente como "imposto do luxo", essa alíquota de 18% atingia carros que ultrapassavam 79 milhões de pesos argentinos (R$ 290 mil).

"Na prática, porém, a taxa chegava a 21,95% por causa da incidência conjunta com outros tributos", explica Sebastián M. Domínguez, contador especializado em tributação da SDC Assessores na Argentina. "Esse imposto foi usado como ferramenta de política monetária quando havia uma diferença muito grande entre a cotação do dólar oficial e a do dólar paralelo."

A medida foi aprovada no Senado argentino junto com uma polêmica reforma trabalhista no final de fevereiro, representando uma continuidade das políticas econômicas do governo do presidente Javier Milei, que já havia reduzido impostos sobre carros do segmento médio em fevereiro de 2025.

Contexto histórico e justificativas

Segundo Domínguez, durante o governo da presidente Cristina Kirchner as alíquotas subiram com a justificativa de proteger o mercado interno. "Em alguns casos, a taxa de 35% podia chegar a 50% devido à diferença entre as cotações", afirma o especialista. "Havia receio de fuga de dólares, mas hoje já não existe essa diferença tão grande."

O imposto era aplicado sobre o valor do carro ao chegar à loja, e não sobre o preço final ao cliente. Após a inclusão das margens da concessionária, ele acabava incidindo, na prática, sobre veículos vendidos por mais de 105 milhões de pesos (R$ 385 mil).

Impacto no mercado automotivo argentino

O mercado argentino de automóveis enfrenta vendas estagnadas desde o final de 2025, situação que até afetou a produção de carros no Brasil devido à diminuição da demanda argentina por veículos brasileiros. Parte da explicação para esse cenário é justamente o reajuste dos impostos internos promovido pelo governo Milei.

"Aconteceu uma mescla de iniciativas", explica Domínguez. "Algumas marcas já anunciaram descontos ainda maiores, pois se beneficiam também de acordos recentes da Argentina com os Estados Unidos." Foi o caso específico dos modelos importados da Ford, que obtiveram reduções particularmente expressivas.

A isenção do imposto, segundo a legislação argentina, passa a valer oficialmente em 1º de abril. Mesmo assim, várias marcas já anunciam seu portfólio com novos preços e entregas a partir do mês seguinte. Até o momento, Alfa Romeo, BMW, Land Rover, Porsche e Volvo ainda não haviam divulgado novos preços para o mercado argentino.

Perspectivas econômicas e reações do setor

Sobre uma eventual queda na arrecadação tributária, Domínguez argumenta que o aquecimento da economia pode compensar as perdas. "A ideia é que esse corte nos preços estimule as vendas e, com isso, a economia como um todo ganhe", explica o tributarista.

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A Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (Adefa) emitiu uma nota oficial afirmando que a eliminação definitiva do imposto interno representa um avanço significativo para o setor. Segundo a entidade, a medida corrige distorções acumuladas na formação de preços, ajuda a reorganizar o sistema tributário e devolve previsibilidade às montadoras e a toda a cadeia produtiva.

Há expectativa de ajustes nos preços em cadeia por causa dos grandes descontos, além de mudanças significativas no mercado de veículos usados, que deverá sentir os efeitos das reduções nos preços dos modelos novos.