Empresário de Fernandópolis é pioneiro no design automotivo brasileiro
Um empresário de Fernandópolis, no interior de São Paulo, desempenhou um papel crucial no desenvolvimento do primeiro quadriciclo do Brasil, marcando um marco na história automotiva nacional. Luis Antonio Arakaki, de 63 anos e graduado em Design Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), não só participou desse projeto inovador como também foi mentor de outras criações, incluindo um veículo off road derivado de um Jeep e uma releitura de um bug tubular.
Trajetória acadêmica e o projeto pioneiro
Arakaki começou a aprimorar suas habilidades ainda durante a graduação, com um dos projetos mais significativos sendo o do quadriciclo em 1985. Essa iniciativa foi realizada pela UFRJ em parceria com a Yamaha Motor do Brasil e o Centro de Pesquisa e Design de Vendas (CPDV), supervisionada por professores e com a colaboração do amigo Ricardo Key Takagi, que hoje reside no Japão.
"Esse projeto resultou no primeiro quadriciclo do Brasil em uma época em que esse produto não existia no mercado. Considero algumas das minhas criações como importantes academicamente", relata o empresário, destacando o caráter pioneiro de seu trabalho.
Carreira profissional e desafios na indústria
Após se formar em 1986, Luis passou a auxiliar na usina sucroalcooleira da família em Fernandópolis. Mesmo com as responsabilidades empresariais, ele dedicava tempo para explorar sucatas no almoxarifado, buscando materiais para futuras inovações. Em 1991, enfrentou um novo desafio ao ser convidado como freelancer para criar a carenagem de dois faróis da motocicleta Yamaha RD350R, um projeto que estava atrasado e foi aprovado após sua intervenção.
"Eu tinha um prazo apertado, fiquei imerso na fábrica e apresentei minha modelagem em tamanho real para o presidente, já adaptada na motocicleta. O resultado foi aprovado", revela Arakaki, exemplificando sua capacidade de resolver problemas complexos sob pressão.
Projetos inovadores: off road e bug tubular
Anos mais tarde, em 2017, o empresário se aventurou em um projeto totalmente fora dos padrões, utilizando a base do Engesa 4, um modelo de Jeep, para desenvolver um veículo off road batizado de Boi da Cara Preta. O nome faz referência a um boi bravo de montaria, simbolizando a robustez e adaptabilidade do automóvel para diferentes terrenos.
Esteticamente, a dianteira do veículo remete à imagem de um animal bovino, e após a finalização, Arakaki realizou viagens de longa distância, compartilhando o processo de produção nas redes sociais e surpreendendo internautas com sua criatividade.
Além disso, com espírito aventureiro, ele fez uma releitura de um bug tubular para uso recreativo em praias, como as de Santos e do litoral paulista. Mantendo características originais, adaptou o veículo com uma gaiola chamada Vento nos dentes, acoplada entre os faróis, que evoca sorrisos e felicidade nos ocupantes e espectadores.
"A gaiola recebeu esse nome porque, ao andar, você estará 'sorrindo'. Isso remete à felicidade dos ocupantes do veículo e das outras pessoas que passam e também sorriem", explica o empresário, destacando o aspecto lúdico de sua criação.
Impacto e legado
Finalizado o bug tubular, Arakaki aproveitou para viajar de Fernandópolis a Santos, desfrutando do vento e das reações positivas do público. "É um veículo que, conforme os outros carros me veem, é possível notar o sorriso no rosto das pessoas, as buzinas. Alguns me perguntam sobre as características e também as crianças se empolgam para conhecer", finaliza, sorrindo ao relembrar as experiências.
Sua trajetória ilustra como a paixão pelo design e a inovação podem transcender fronteiras, contribuindo para o cenário automotivo brasileiro com projetos que unem funcionalidade, estética e emoção.



