Carro se move sozinho e derruba portão em Uberlândia; psicóloga relata susto e decide vender veículo
Carro se move sozinho e derruba portão em Uberlândia (07.02.2026)

Carro se move sozinho e derruba portão em Uberlândia; psicóloga relata susto e decide vender veículo

Uma situação inusitada e assustadora ocorreu na noite de terça-feira (3), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, quando um carro se moveu sozinho na garagem de uma residência e derrubou o portão. A psicóloga Lucélia Pires Targino, de 38 anos, moradora do Bairro Alto Umuarama, entrou em choque e caiu no choro ao presenciar o episódio, que foi registrado pelas câmeras de segurança da casa.

Momento de pânico e decisão imediata

Logo após o susto, Lucélia já sabia qual seria o destino do veículo, um Onix 2014 com câmbio manual. “Vou vender. Misericórdia! Quem quiser, está à venda com espírito e tudo”, revelou ela, em tom de humor, ao relatar o caso. As imagens de segurança mostram o carro dando um arranco para trás e, minutos depois, para frente. No segundo movimento, o veículo seguiu de forma contínua e, apesar da tentativa da psicóloga de evitar o impacto, atingiu e derrubou o portão.

Após o ocorrido, vizinhos ajudaram Lucélia a desligar a bateria do carro e a recolocá-lo na garagem. O portão foi reajustado, e ela conseguiu dormir em casa, mesmo ainda assustada. Felizmente, ninguém se feriu no incidente.

Repercussão inesperada nas redes sociais

Quatro dias depois do susto, Lucélia comemora a repercussão do caso nas redes sociais. As imagens despertaram a curiosidade dos internautas e, ao contrário do que muitos imaginaram, atraíram interessados no carro colocado à venda. “É muita gente procurando! Mas eu já estou até pensando que não vou poder vender esse carro, me trouxe muita sorte. É aquela história: ‘é males que vêm para bem’. Aquilo que eu julgava como ruim está trazendo alegrias e abrindo portas”, refletiu ela, mantendo o bom humor.

Detalhes do vídeo registrado

O vídeo das câmeras de segurança capturou o momento passo a passo:

  • Às 23h36, o carro, estacionado na garagem, moveu-se repentinamente para trás. O cachorro da casa percebeu a movimentação e apareceu na porta da sala.
  • Em seguida, Lucélia saiu de casa visivelmente confusa. Ela falou ao telefone com o marido, entrou novamente na residência e retornou pouco depois à garagem, ainda ao telefone, para observar o veículo e verificar as condições em que estava estacionado.
  • Lucélia chegou a entrar no carro para checar se o freio de mão estava puxado e constatou que sim.
  • Por volta das 23h43, o carro voltou a se movimentar, desta vez de forma contínua, em direção ao portão.
  • A moradora saiu de casa, abriu a porta do lado do motorista e entrou no veículo, mas não conseguiu pará-lo. Segundos depois, ela deixou o carro.
  • O veículo derrubou o portão às 23h43, avançou para a rua e só parou ao atingir o meio-fio do outro lado da via. Lucélia apareceu visivelmente abalada após o ocorrido.

Explicação técnica de engenheiro eletricista

O carro de Lucélia foi levado à mecânica na quinta-feira (5). Antes do diagnóstico final, o engenheiro eletricista Jorge Paulo explicou que, apesar de o veículo ter se movimentado, o motor de combustão não chegou a ligar. Ou seja, o carro não estava “funcionando” de fato.

O que entrou em ação foi apenas o motor de partida, responsável por dar o impulso inicial para ligar o veículo. Esse motor elétrico, também chamado de arranque, pode fazer o carro se mover lentamente em caso de falha elétrica, especialmente quando o veículo está engatado. Nessa situação, o sistema pode receber energia de forma indevida e acionar o motor de partida sem que a chave seja girada na ignição.

“Pode ter ocorrido alguma falha nos sistemas elétricos como o comutador da chave de ignição, falha no módulo eletrônico de carroceria, falha no relê de contato que alimenta o automático do motor de partida ou até falha no próprio motor de partida”, detalhou o profissional.

Segundo Jorge Paulo, esse tipo de situação pode acontecer com qualquer pessoa, mas não é comum. Caso algo semelhante ocorra, a orientação é não tentar intervir para parar o veículo, a fim de evitar acidentes mais graves.

Procedimento de estacionamento estava correto

Sobre a forma como a psicóloga estacionou o carro, o engenheiro afirma que o procedimento adotado estava correto. “A própria autoescola ensina a deixar o veículo da maneira que estava: freio de mão puxado e carro engatado na primeira marcha, pois é bem mais comum sistemas de freio de estacionamento e freio de mão falharem do que o veículo dar a partida, como aconteceu. Então, o que a Lucélia fez está 100% correto”, concluiu.

O incidente serve como alerta para possíveis falhas elétricas em veículos e reforça a importância de manutenção preventiva. Enquanto isso, Lucélia segue refletindo sobre o destino do carro, que, apesar do susto, pode ter trazido uma reviravolta positiva em sua vida.