A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Fêmina, localizado em Porto Alegre, voltou a operar normalmente nesta quinta-feira (30). A reabertura ocorreu após a conclusão dos procedimentos finais de limpeza e readequação do espaço, que estava com o atendimento suspenso desde o dia 16. A interrupção foi motivada pela detecção de uma superbactéria em recém-nascidos internados.
Controle da infecção
De acordo com a instituição, a situação relacionada à infecção está sob controle. Desde a identificação do problema, não houve registro de novos casos de contaminação. Na manhã desta quinta-feira, a sinalização que indicava o fechamento temporário da UTI, instalada na entrada do setor, foi retirada.
No entanto, todos os leitos da UTI Neonatal disponíveis estão ocupados com pacientes que chegam pela emergência e pela regulação municipal, conforme informou o Grupo Hospitalar Conceição (GHC).
Bebês afetados
No início da ocorrência, 34 bebês estavam internados na UTI Neonatal. Quatro deles testaram positivo para a bactéria. Três seguem hospitalizados e apresentam evolução clínica favorável. Um dos recém-nascidos não resistiu. Segundo o hospital, tratava-se de um bebê prematuro extremo, com 26 semanas de gestação, proveniente de um parto de alto risco, que morreu nos primeiros dias após a identificação da contaminação. O bebê prematuro que morreu tinha um irmão gêmeo.
Superbactéria
A Acinetobacter baumannii, bactéria detectada no hospital do Rio Grande do Sul, foi listada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2024 como uma das bactérias mais perigosas do mundo. A OMS classifica as bactérias como perigosas com base em vários critérios:
- Taxas de mortalidade
- Incidência (número de infecções)
- Impacto na saúde
- Desenvolvimento de resistência
- Transmissibilidade
- Evitabilidade
- Opções de tratamento
- Desenvolvimento de novos medicamentos
A Acinetobacter baumannii é descrita como um patógeno bacteriano oportunista emergente associado a infecções hospitalares. O risco de infecção aumenta conforme o tempo em que os pacientes permanecem hospitalizados. Pessoas com sistemas imunológicos vulneráveis estão particularmente em risco.
A Acinetobacter baumannii também é resistente aos carbapenêmicos, que são os chamados antibióticos de reserva, utilizados somente em último caso, quando não há outra alternativa. O uso indiscriminado destes antibióticos promove o desenvolvimento de resistência.



