UTI do Hospital Mário Gatti em Campinas reabre após 48 dias por surto de superbactéria KPC
UTI do Mário Gatti reabre após 48 dias por surto de KPC

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto do Hospital Mário Gatti, localizado em Campinas (SP), voltou a receber novos pacientes nesta segunda-feira (27), após um período de 48 dias de interdição. O fechamento foi motivado por um surto da superbactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase, conhecida pela sigla KPC, detectado em monitoramento de rotina. Desde 10 de março, a UTI não realizava novas internações, mas agora, após uma reforma completa e um processo de higienização profunda, o local está apto a garantir a segurança de pacientes e funcionários, conforme informou a administração do hospital.

Detalhes do surto e interdição

A interdição temporária da UTI foi determinada no dia 9 de março, logo após a detecção da bactéria durante um monitoramento de rotina. A KPC foi identificada em ao menos oito pacientes. Duas pessoas morreram, mas, de acordo com a administração municipal, a KPC não foi a causadora direta dos óbitos. A KPC é um tipo de bactéria resistente a vários antibióticos, comum em ambientes hospitalares de alta complexidade. Em Campinas, a dificuldade de contenção obrigou o hospital a adotar a estratégia de fechamento temporário.

Reforma e higienização

Durante o período de fechamento, a unidade passou por uma grande reforma para aprimorar o controle de infecções. Segundo a prefeitura, as melhorias incluíram a criação de duas antecâmaras com dutos de ar-condicionado para garantir a pressurização correta do ambiente. Além disso, foram realizadas outras intervenções na estrutura:

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  • Implementação de uma nova infraestrutura elétrica;
  • Criação de uma antessala com vedação adequada;
  • Melhorias sanitárias;
  • Mudanças nos depósitos de materiais e resíduos;
  • Ampliação do posto de enfermagem da unidade.

Após a conclusão das obras, o local passou por três processos de limpeza terminal, uma higienização profunda e minuciosa de todas as superfícies e equipamentos. A prefeitura informou que todas as medidas seguiram as recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a reabertura, os pacientes que estavam em uma UTI provisória já começaram a ser transferidos de volta para a unidade.

O que é a KPC?

A KPC faz parte de um grupo de bactérias resistentes a antibióticos, conhecidas como superbactérias. O agente infeccioso produz uma enzima que destrói vários antibióticos, medicamentos comuns no tratamento de infecções bacterianas. Identificada no Brasil no início dos anos 2000, a superbactéria tem causado surtos esporádicos em unidades de saúde.

Como surge?

Segundo o infectologista e professor da Unicamp, Plínio Trabasso, o surgimento desse tipo de bactéria é consequência do uso intensivo de antibióticos potentes no ambiente hospitalar ao longo dos anos. "Elas vão se tornando resistentes aos antibióticos que utilizamos, por isso são mais prevalentes nesse ambiente. É crucial controlar a disseminação, pois o tratamento se torna dificultado", explica.

Sintomas

As infecções mais comuns em diagnósticos de KPC incluem:

  • Infecções de corrente sanguínea (sepse);
  • Pneumonia;
  • Infecções do trato respiratório;
  • Infecções urinárias, embora menos frequentes;
  • Infecções de feridas operatórias.

Prevenção

A KPC atinge com mais frequência pacientes internados com imunidade debilitada, como os de UTIs. A transmissão ocorre por contato com fluidos da pessoa infectada ou por aparelhos de ventilação mecânica, cateteres e sondas. Falhas na higiene e desinfecção do ambiente hospitalar podem facilitar a propagação, caracterizando a transmissão cruzada. Fora do ambiente hospitalar, a infecção é rara.

O médico infectologista ressalta a importância de cuidados específicos:

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  • Para a população geral: higienizar as mãos com água e sabão ou álcool gel após contato com pessoas.
  • Para profissionais de saúde: seguir rigorosamente as regras de higiene e segurança.